Monday, July 12, 2010


CONTOS DE RATAZANA
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O ATIRA-CÚS...

Afinal sempre é verdade. O Paulo está no topo do mundo por comer um cu rapado. Tudo o que ele quer, como prova da sua excitação total, é um buraco sem pêlos ao ar, quando passa um serão maravilhoso. E não é só um cuzito rapado… um programita bem afinado, ou algo onde não haja que roçar…

«Foi a Pernambucana quem mo deu», confessou-me ele, «e a Baby-Sitter ajudou à festa. Não é de gritos?»

Arquei-a as pernas o suficiente, deixa-se encurvar e ergue as mãos de forma a eu poder ver o seu estilo à cão… Tem o sorriso no rosto… um pouco rufia, porque na sua face ainda se pode ver uma leve malandrice quando a luz incide na sua pessoa.

«Eu tinha uma vontade tão grande enquanto ela se maneava.» Paulo ri-se. «Parecia um touro com olhar de matador. A Baby-Sitter disse que havia de ser bom se eu me pudesse aguentar meia hora antes de me vir desta forma.»

Imagino a cena… A Baby-Sitter segurando a cabeça da cadela entre as pernas, usando-a na lambidela familiar. Paulo mantendo afastada as bochechas do cu da Pernambucana, enquanto lhe passa o pau barbado pelo rego… Sim, deve ter sido uma cena fantástica.

Paulo não se consegue manter quieto diante de mim. Mexe o corpo de um lado para o outro, estica-se quando vê uma mulher a passar. Está outra vez com comichão no pincel… prometer-lhe o queijo foi bem o grande remédio para lhe atiçar os calores. Podíamos jogar um palpite, diz-me com ar travesso, só para ver se o meu faro consegue reconhecer uma paneleira...

Como reconhecê-la… O que eu penso, aquela coisa funciona com a cabeça de baixo, um olhar e fica duro como pedra. É como se já tivesse uma pedra dentro da calça… Mas Paulo sabe como encontrá-la…

Paulo está livre de horário. Agora não tem qualquer impedimento para comer um queijo daqueles, diz ele… talvez venha assediar uma das minhas prostitutas… e lá vai ele direitinho ao meu grupo, para falar com uma à boa. A mula pede muita massa, pede o que quer, e acrescenta, um cuzito careca como aquele não tem preço… está na grelha das virgens…

Paulãozinho, acha ele, havia de ter um formigueiro muito forte com o cheiro. Enfia a mão no bolso, aperta o pénis num anel esganado, e olha para baixo… Sim, não há dúvida que tem de conservar a cabeça para baixo, para manter a calma diz. Faz-lhe cócegas sob a tola… Se não tivesse comido aquele queijo com um cheirinho azedo de ovelha, acha ele, provavelmente não levantaria a cabeça, tão rapidamente, e nunca saboaria… Perderia o seu faro. A Pernambucana e a Baby-Sitter, continua ele, não deixaria que ele as abandonasse…

Paulo diz que adora a Pernambucana, acha que ela é boa sempre depois do jantar. Algumas vezes a Pernambucana parece uma fada, quando se arma em gata naquele estilo mamã que ela tem. A Pernambucana diz-lhe para fazer uma posição e, se não obedecer de imediato, ela obriga-o a fazê-la. A Pernambucana tem muito nervo, especialmente nas noites de garrafas vazias... uma vez postas as suas garrafas em cima da mesa, não podemos negar… e enche uma quantidade de copos para nos esborracharmos. Oh, a Pernambucana mantém-me de pila feita quando brincamos aos cavalinhos!

É claro que também gosta de Baby-Sitter, diz ele, mas de uma forma completamente diferente. Com a Baby-Sitter, sabe-se que é tudo confusão de línguas… Ela na verdade pensa, diz Paulo, que toda a rapariga deve viver uns tempos com uma cadela, mesmo que pretenda largar a prostituição e não ter chulo e ser uma rapariga de poupanças dali para a frente. Paulo, diz que eu tinha razão… as cadelas substituirão os homens…

Paulo senta-se, com as mãos atrás sobre a cabeça, observando-me enquanto me despacho de um cliente. Quer que eu oriente uma mula baratinha. Pede-me ele. Respondo que vou ver. E fica de pernas abertas, os olhos a ver o que se passa. Estou em linha com uma e a alternativa na outra…

Paulo experimenta uma certa negra oriunda de uma África longínqua. Diz chamar-se Sílvia. Quando Paulo a levou, diz-me ele, tudo o que ela fez foi despir-se e ficar esticada como uma tábua de engomar… Agora salta para aqui! Disse-lhe ela, e ele sentiu-se fodido. Abriu-lhe mais as pernas, e deu uma vista de olhos para satisfazer a sua curiosidade. Bem, não se admira se ela tenha posto algodão no pito para encobrir uma possível tia-maria… Ficou em cima dela antes de poder ganhar tesão, a verga na mão e as ideias noutra…

Estar a foder Sílvia com esta atitude é como estar a foder uma velha de asilo, se exceptuarmos o facto de que uma velha de asilo nunca teria uma pintelheira tão farfalhuda. O seu ventre, conta ele, mal se esfregou contra o dela, a única reacção que soou foi o seu SOS de fome, nada mais. Entre as suas mãos não se encontrou um afecto, um carinho, ou um calor de forno de alta tensão, nada além da sua imobilidade. Tem um aspecto mais frio do que uma perua morta… Mas esteve a aviá-lo a conta gotas, como sempre o fez… como uma mulher desfasada, ou ainda mais, aguentou-o até ao fim.

Sei que se tratou unicamente de um cabrito mas isso não torna menos real o facto da sua pele lhe saber a catinga. Enquanto foi só catinga ele não se ralou, deixando-a continuar a espalhar-lhe o contacto com o corpo enquanto a fodeu. É um odor intenso, penetrante, nada que se pareça com o cheiro a suor que costuma deitar…

Não volto a sair mais com Sílvia, desabafa ele… aquele coiro é demasiado pastelão. Tinha o olho do cu na mira, fiquei incontrolável, mal meti o pénis no buraco, gritou como uma fera, e não me deu hipótese e depois aplicou-me uma massagem… uma punheta, para ser mais claro… que completava o serviço…

Paulo não deixa esquecer aqueles momentos que foram foleiros… há muito tempo que não enfiava um urso daqueles, e está muito furioso consigo. Tenho-o de o acalmar, mostrando-lhe que nem sempre se acerta na pomba certa, senão vai falar mal delas. É o único motivo por que Paulo pára às vezes de engatar putas… para que preste mais atenção às não-putas… Claro que não pára por muito tempo… duas noites é tudo o que consegue. Depois, vai querer novamente um cu a bater-lhe ao pau e partirá para outra aventura. Suspeito que pensou que Sílvia só lhe desse o mataco (cu) se lhe oferecesse dormida grátis na sua maison, e tenho a certeza que ela não foi na fita…, ou era muito mais ingénua do que ele para embarcar nessa droga de cantiga…

Paulo estica os braços acima da cabeça e arqueia as pernas, e o sorriso quase lhe desaparece... Quer que eu abafe o caso dele… mas só por uns dias… enquanto ela não tocar no trombone…

«Olha para mim…ela fez-me uma punheta, como se eu fosse um estudante, nem mais… fiz uma figura tão parva que nem me quero lembrar», diz Paulo. «Não tens por aí uma marreta para me dares com ela na cabeça? Deixava-te dar à-vontade… e andava eu todos as noites à procura de ter um cu sem pêlos… e agora que o tenho… procuro outros. Não é uma estupidez?» Volta-se e olha para um rabo a passar pela sala. «Mas não queria um cu tão gordo como daquela prostituta. Comia-me meia gaita…»

Os dois rimo-nos com a expressão que ele deu à conversa… mas eu estou mais interessado naquela narrativa para o meu pasquim. Debruço-me por baixo do tampo do balcão e anoto os apontamentos precisos e ele retoma a conversa quando sente o riso a ir-se… e conta-me o que a Pernambucana lhe costuma dizer na cama… Fura-o! Fura com a tua chouriça o meu buraco careca e amanteigado, e come-me… é todo teu, podes gabar-te que foste o primeiro a ir aí tirar-me os três… Enfia a boca no copo e absorve um pouco de água fresca.

A Pernambucana pode dizer o que muito bem lhe apetecer… Mas Paulo não tem de comer o grupo… ela é pouco mais do que uma rapariga, seja lá da forma que a vejamos, e da parte de trás, só com o manear da sua bunda, parece mais virgem que uma donzela. Ainda um dia lhe vou dar uma completa, diz Paulo, de modo que nunca mais se esqueça de mim.

«Sei como é», diz-me ele. «Gordos, magros, peludos, pequenos… se alguma vez encontrares algum que não saibas como deves tratar, trá-lo que eu ensino-te como deves fazer.»

Depois… pára-se a conversa, ele dá um salto ao quarto de banho e volta. Anda como se fosse um galo, com o olhar sempre cravado nelas… Estou pronto a meter-lhe o meu veneno, mal se senta no banco, entro de chofre...

«Esta se chega aos ouvidos da Pernambucana e da Baby-Sitter elas ficam tão revoltadas que lá se vai a borla quando as quiseres roer», digo-lhe eu. «Se queres que ela te dê uma goelinha tens de prometer que não as trocas assim.»

Ainda está de peito feito, e dá toques no copo para ouvir o seu tilintar. Está sentado de frente a observar, de modo que vê as saídas e as entradas daqueles que se raspam para dar uma rápida... Vigilância a quanto obrigas…

Paulo quer saber se entre mim a Pernambucana e a Baby-Sitter houve algum caso. Fodia-as, não fodi? Não lhe respondo. Mantenho-me em reserva… Paulo não precisa de qualquer informação para arranjar um caso. Muito bem, diz ele… mas eu escuso de pensar que é segredo. A Pernambucana e Baby-Sitter têm os ouvidos bem apurados; em breve saberão tudo.

«Elas sabem que andaste por aí a foder com a amiga dela sem protector de mangueira?», pergunto.

Paulo fica admirado por eu saber de tudo. Como é que sabes? Foi a amiga? Paulo aperta o copo na mão como se mo fosse partir…

«A amiga contou a elas?», interroga. «Elas sabem o que nós fizemos?»

Não me intrometo nisso e Paulo fica pensativo. Como é que pode saber como deve actuar se não sabe estas coisas?

«Ela deu-me uma dica, como se eu fosse um gigolô, nem mais nem menos», diz Paulo. «Mas ainda queria que eu fizesse de motorista porque não tinha homem para a acompanhar.»

A seguir segue os passos de uma garina que acaba de chegar. Está a mordê-la de ginjeira, assim que eu possa, vai desejar que lha apresente. Se ela não fosse uma dessas raparigas dos bordéis, podia-lhe muito bem contar um filme bonito e ela não lhe exigiria dinheiro, suspira ele. Vou ter que ter algum trabalho para explicar à garina o desejo dele em querer comê-la por amor! Suponho que o que devia fazer era tirar essa ideia e pagar à garina… mas o dinheiro tem muito significado para ele, e ele ficou com os calores um pouco alterados. Para o diabo com tudo isto. Digo a Paulo para meter o dinheiro na mão e tocar uma segóvia. Com certeza, diz ele, desde que eu fique aliviado e me venha, tudo bem.

Mas eu ainda pretendo saber se a Baby-Sitter não se enciúma pelo que se passa entre Paulo e a amiga Pernambucana. Paulo leva algum tempo a responder ao tema, o qual se resume a que ele ainda não se quis fazer ao piso. Está a reservá-la, sorri, a reservá-la para descobrir exactamente quais são as intenções de Baby-Sitter em relação a sua pessoa. Se ela gosta de o ver foder, deve ter forçosamente algum desejo por Paulo, acho eu? Quem sabe… talvez se estejam evitando, a fugir um do outro…

Este Paulo! Estou mesmo a ver que não pára de andar para aí a armar confusão. Tenho admiração pelas brasucas… se estas putazitas corrompidas se lhes crescem a barriga, não sei o que lhes vai acontecer. Levarão com elas para o Brasil algo mais do que a colecção de cabritos do Porto…

Paulo está por debaixo do olho a galar a garina. Por vontade dele, fazia-a lá na pensão enquanto o diabo esfrega um olho, mas abstém-se a olhar para o espelho. Fica ali a matutar prós botões com o cu a balancear e as pernas curtas afastadas. Tem os pés apoiados no aro de alumínio em volta do banco, e a careca branca como a casca de um queijo. De vez em quando espalmei-a a careca com a palma da mão. Não diz nada… mantém-se assim… e deixa-se ouvir as minhas fofoquices e diverte-se a rir…

«A Baby-Sitter vai ficar louca quando eu lhe baixar as calcinhas», diz ele…

«Mas, toma cuidado, como é que tu a podes enlouquecer?»

Paulo não responde… talvez ele próprio não queira responder. Dá um esticão para se aproximar mais da borda do balcão, afim dele poder chegar mais perto da água, e coça os seus tomates, agitando-a de cima para baixo…

«Vou vê-la logo à tarde… Sou capaz de a apanhar sem a amiga e levo-lhe a cadela ao jardim… deixo-a a fazer lá umas caganitas e volto para o seu apartamento e obrigo-a a chupar-me. Sim, é o que vou fazer… Obrigo-a a chupar-me o paulãozinho e como-lhe aquela peida e no fim digo-lhe para não contar nada à amiga senão, não lhe vou buscar a cadela. Oh, meu grande Paulãozinho… cresce, cresce muito… e faz duplicar uma quantidade de esperma dentro de mim, porque eu vou fazer uma boa brasuca comê-la toda, daqui a uma hora, mais coisa menos coisa…»

Sunday, June 20, 2010



CONTOS DE RATAZANA
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`Time is money`


Ontem de manhã, por volta das duas, estava à esquina de Antero de Quental para o meu encontro. Dez minutos… vinte minutos… Três horas e aquele boi sem aparecer. Raios, as pessoas que faltam aos encontros deviam pagar por isso. É como se nos fossem à carteira… é pior que roubar a carteira. Fazem-nos desperdiçar o tempo… meia hora aqui, dez minutos ali… passado algum tempo, devem ser anos. Portanto roubaram-me uma hora, e onde é que vou arranjar outra para substituir esta? Minha sorte, não vou viver eternamente, não me sobram tantas horas que eu possa dar ao luxo de distribuir desta maneira. Mas os homens nunca pensam saber destas coisas. Não acredito que os homens alguma vez pensem que um dia a sua vida terá fim. De certeza que não o pensam da mesma maneira que as mulheres. Pode-se ter a certeza absolutíssima… quando uma mulher não é pontual, trata-se geralmente de uma irresponsável, de uma preguiçosa e de, pelo menos, mais de umas dezenas de nomes sortidos, além das referidas.

Às três certas ponho-me ao fresco. Tenho mais para ponde ir do que ficar à esquina toda a tarde de sentinela a servir de montra. O gajo pode arranjar uma boa desculpa, mas vai ter que pagar pelo que me fez… Pese, embora… no Porto nunca se perde o atrelado. Se um gajo falha, aparece logo outro… em todos os bares o barman tem as agendas cheias de contactos e nem todos são de deixar fugir, como acontece nos anúncios. (Que espécie de gajo aparecerá num desses anúncios? Ainda hei-de saber… Cerca de uma hora mais tarde, depois de já ter ingerido alguns líquidos ao balcão, deixo-me levar por um. Não é um cabrito assumido, na verdade, está apenas com vontade de me saltar. Não é propriamente um Mourinho, mas não é de perder; é quarentão e tem o ar de quem utiliza preservativo sempre que lá vai. Dou-lhe bola corrida, e depois vamos para outro lugar e tento funcionar o meu esquema com ele… mas ainda estou banzada pelo caso do outro tipo… Pelas suas palavras, dá a impressão que o tipo de Pescoço-Engomado (sofreu fractura da coluna), uma ou outra vez, já teve algum contacto com as mulheres do bas-fond… e se teve pôde pagar a uma não há razão para que o Pescoço-Engomado não pague a mim. Para cliente, o Pescoço-Engomado é uma pessoa de elevado grau espiritual. A maioria desses bois atirava-se ao ar se lhe fizessem uma corte decente… mas o Pescoço-Engomado ouve atentamente e parece levar tudo sob uma certa reflexão. Por fim passa uma das mãos sobre a minha… acampa, é o único termo que posso empregar… e fita a minha boca durante uns bons segundos.

«Sabes… parece-me que te vou levar», diz. «Se tu não te importares de ir, Rita, é claro…»

Se eu não me importar! Meu Deus, eu também sou uma pessoa sensível… não me recordo de uma única vez ter recusado o meu carinho a alguém que o quisesse paparicar. Arrumo o cu para trás do sofá e aguardo o desenrolar da conversa. O Pescoço-Engomado não quer entrar em detalhes. Ele compreende toda esta fita, em teoria, diz ele, e não necessita de empurrão… Encosta-se à minha frente e mete a cabeça entre as suas mãos, e depois de ter encarado o meu olhar durante uma fracção de segundo, atira um sorriso para mim. Está com um olhar perfeitamente apaixonado, embevecido… se eu não tivesse a percepção do que ele é, era capaz de jurar que estava doido pelo meu par de mamas e por se enfiar pelo soutien dentro… Começa a namorar-me… não que eu precise de namoro, mas porque faz parte da sua teoria, penso eu. Este tipo pode ser extraordinariamente comedido… começa a contar-me histórias bonitas como se não houvesse nada no mundo de que mais gostasse. Põe o braço por cima dos meus ombros e mexe-me nos cabelos… e quando não está a contar-me nada, baila com as sobrancelhas ou pisca-me os olhos. Vêem-se destes tipos nos bares «matando» todas as gajas que lá estão e pagam bebidas àquelas que pretendem engatar… e muitas vezes perguntei a mim própria o que lhes aconteceria se não lhes dessem algum dinheiro.

Mas não se consegue chegar perto de todos. Alguns, além do mais, têm um aspecto requintado, mas estão tão dispostos a deixar que uma gaja lhes levante o pau como eu estou disposta a pedir ao cliente que vai ao meu salão cortar o cabelo que tire a língua para fora para me fazer uma trombada... Sei o que estou a dizer… já me passou pela cabeça fazer isso… Até o Pescoço-Engomado, se a sua teoria valer alguma coisa, deve saber o que vai acontecer se continuar a paparicar-me desta maneira. Eu estou quase a tomar outra bebida, à espera que ele tome a dianteira… não quero sair a abanar… Firmo-me até os ímpetos se transformarem quase em molas, de tão calcados: quero manter-me toda serena, se for capaz… O Pescoço-Engomado sabia do que estava a falar quando disse que não necessitava de empurrão. Estou pronta a ir com o tipo e a deixá-lo gozar se ele não se armar em esperto quando ficar comigo à mercê, mas é pura perda de tempo. Dá a impressão de adorar a minha pessoa. Olha para mim quando me começo a rir, e dá-me uma trabalheira dos diabos para o convencer de que não estou a rir-me dele… Chega ao ponto de se rir também quando lhe digo que hoje à tarde estive na prancha por um tipo. Fica sensível quando lhe conto a minha versão.

«Mas ele foi indecente, Rita… isso não se faz, dar-te uma hora de espera! Devias tê-lo apanhado! Pensei que me estavas a gozar, Rita? Sabes quem foi o beneficiado, Rita? Foi aqui… o artista!»

Quer saber quem é o tipo daquele encontro. Não disse quem era. Depois quer saber em que esquina é que estive à espera. Sim, era uma onde não sabia muito bem onde era, etc… durante uma hora. O Pescoço-Engomado dá por terminado as perguntas ao assunto, e para mim, é tempo de passar à acção.

«Bom, e quando é que vamos?», pergunto a Pescoço-Engomado. «Que tal agora?»

O Pescoço-Engomado excita-se. Para o diabo mais o trabalho que eu devia fazer, diz ele… e agora já não me largo de ti! Como é que tu te ias ver sem mim? Vai-se levantar para ir à casa de banho. Aproveito, tenho um telefonema para fazer, e assim posso ficar com o tempo mais disponível. Ele aí vem mais composto do que quando saiu da mesa. E pede ao empregado para lhe levar a conta e corta o som ao telefone. Só atendo se for necessário, diz-me o Pescoço-Engomado. Acabamos de sair e fechar a porta, e desaparecemos algures no Porto, a caminho de uma residencial, o local mais provável.


Thursday, June 10, 2010




CONTOS DE RATAZANA
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PITA
PETA E
PUTA…



(a)

A Malcasada, anda deprimida. O cota que lhe anda a dar umas quecas não se pode aguentar, diz-me ela, e não sabe o que há-de fazer. Enche-a de guitas, e tudo o mais, mas mesmo assim é uma praga aguentá-lo.

Estamos os dois a conversar e ela faz-me o relato. Primeiro, ele quer estar mais vezes com ela. O tipo acha que ainda está aí para as curvas e, assim que a Malcasada apanha uma escapadela atira-se logo a levá-la para a cama. O que não teria nada de mais, penso eu, excepto, o facto que todas as vezes que a coma, é claro, ela crava-lhe umas massas, o que não o chateia. Pensa que a Malcasada necessita e que o toma por salvador…mas fica furioso ao descobrir que não a come de borla…

E ainda há mais umas coisinhas…

Ele espera que o seu dinheiro lhe proporcione uma nova versão d´Don Juan. A Malcasada tem de lhe contar histórias das suas escapadelas sexuais e está a ficar farta tentando inventar mais histórias.

Naquele dia, por exemplo, quando o rapaz a largou do carro…ficou absolutamente nervoso… A Malcasada diz que ele quase batia com o carro na esquina, porque era evidente o que tinha acontecido.

Fodeu-a, sem dúvida… deve ter julgado que aquela que lhe estava a dar que era a melhor… e depois, quis saber por onde é que ela tinha andado… Reteve-a em reforço durante horas, tentando satisfazê-la a fazer assim, a fazer assado, e Malcasada já tão cheia de gozo e de sexo que a única coisa que queria era ir para casa…

É quando ela pura e simplesmente escoara e deixara de lhe dar luta, o tipo havia ficado danado… se se tinha conseguido ficar excitada quando todas aquelas coisas se tinham passado, por que é que não ficava excitada mais um tempito para o deixar dar mais uma troçada?

E quando a convida para as suas visitas na zona boémia, a Malcasada tem de representar o seu papel. Ele gosta de a mostrar, deixar que as pessoas vejam o pito vistoso que ele conquistou, e tudo isso e mais alguma coisa, mas a Malcasada tem de deixar entender a toda a gente que é uma espécie de petardo sexual…petardo esse que é todo dele. Assim, torna-se obrigatório o vistaço pelas salas para que lhe admirem a figura, e portar-se como uma cadela no luxo, roçando-se nele e deixando-o beliscar as tetas e passando-lhe ela, às vezes, a mão pelos guizos.

Depois, decorrido um certo tempo nestes jogos, ela convida-o para uma janta em casa duma amiga, ele compromete-se e sai logo a comprar-lhe uma prenda… algumas vezes até conseguem zangar-se na brincadeira… mas geralmente é tudo uma questão dela pôr a amizade à prova por ciúme e aferroá-lo. Depois… lá reatam ambos e então salta-lhe em cima, e ele talvez ainda saia a arrotar a leite e a Malcasada tem o aspecto de alguém que tivesse visto o lobisomem…

Parece incrível, mas a Malcasada diz que eu não pensaria assim se conhecesse o machão.

Enquanto toma o café, leio-lhe de relance o pasquim do bar as notícias que Faria levou com uma chouriça vinda do outro lado da sala.

Quando escuta, a Malcasada por pouco que não atira o café para cima de mim… tinha obrigação de saber que aquele seu amigo «salvador» é exactamente o tipo de cenas que ele gosta para se divertir…

Em seguida, a Malcasada quer que não fale a ninguém que esteve lá, e sai tão veloz como entrou e por pouco não cruzou com Toni…


(b)



Toni, o primo de Faria, regressa de Paris em visita de férias. Como tem uma coisa para me dizer, inicia com um licor. Toni sente-se um tanto à vontade comigo em falar de putas, sem a presença de alguém na sala, por isso vem até ao balcão conversar…

Faria, de novo em alta, arranjou os esquemas de modo a ele escolher as gajas que eu lhe arranjei. Dei um lamiré a respeito dele, combinou tudo, e ela mostrou-se muito preparada. Não faço a menor ideia do quanto ele lhe poderá ter pago, mas o que quer que tenha sido, deve ter sido à francesa… ela nunca o deixou de procurar, face ao larjan de Toni, está disposta a conceder-lhe uma completa. Toni aspira um dia vir poder voltar a Portugal e vender peles…

Não seria boa ideia levá-la uns dias a passear, diz Toni. É demasiado risco e, além disso, ela pode não querer que eu saiba que mora com chulo. Convém-me… Eu também não gostaria que ela soubesse que eu sei que mora com chulo… pelo menos até me pôr a francos e dizer au revoir.

Portanto selamos um local habitual… esquina da Rua Antero de Quental com a Rua António Cândido, a partir das duas da tarde.

«Mas se ela não fazer aquilo que lhe pedi» diz-me Toni, «dou meia volta aos sapatos e piro-me. O combinado não é que eu tenha de me vir… O combinado é que ela tem de se vir, se ela se excitar comigo…»

«Vai-lhe fazer aquilo…ela é muito boa a partir da terceira, Toni. Espere até ela fumegar… Vai ser de trepar pelas paredes, vai ver se não é uma foda do século XXI… Até o seu primo a acha uma gaja trepadeira, e anda morto por a fazer à moda serrador…»

«Ele ainda não a comeu? Talvez pense que ela é um barrete, ou coisa do género… que merdas é que você lhe contou para ela estar sempre a ligar para mim?»

«Ah, eu disse-lhe, Toni… falei aquilo que se deve falar. Ela vai tratá-lo como se você fosse um estrangeiro, nada mais… contei-lhe uma data de porras a seu respeito. Limite-se a deixá-la bem fodida e bem endinheirada, é tudo o que ela quer de si. De qualquer das formas, talvez eu tenha uma alternativa na manga para você, entendeu, Toni? Talvez haja hoje uma alternativa para si e para o seu primo caso chegue por aí… um pitinho saído do aviário, talvez… talvez ainda traga alguma amiga sem muita pedalada…»

«Não quero saber o que ela faz no aviário… o que é que ela vai fazer comigo? Não me meta em mais uma trapalhada…»

«Eu não o meto em trapalhada nenhuma, Toni. É uma boa franga. Eu sei. Ela vai à missa…»

«Faz minete?

«Claro que faz minete. Estou a dizer-lhe que é uma boa franga. Frequenta a catequese.»



(c)



Faria aparece e Toni leva-o para uma mesa, enquanto eu me preparo para os servir… e eis quando entram na sala duas gajas. Gajas novas, claro… devem andar à volta dos vinte.

Logo as recebo e é tudo muito cordial. Aliás com umas estampas destas não seria de esperar outra coisa. Faria consegue disfarçar algum encantamento, mas não se faz atrevido. Elas erguem-se, levantam a pestana à altura e sorriem até o brilho do olhos desaparecer.

Oh, realmente são boas, diz ele, pensar que havia dois pitinhos destes abafados aqui no Porto… e só Deus sabe por onde andaram…

São apresentados às gajas, que afinal são tripeiras, de Coimbrões… uma chama-se Pita e outra tem uma aparência completamente fufa-macho… Peta.

Pita é uma moreninha que deve comprar as roupa dois números acima do seu tamanho… consegue povoar-se mesmo à larga dentro delas. Peta é também uma boa febra, mas veste-se de um fato masculino e de gravata.

Mais tarde Faria diz-me que Peta precisa de algum dinheiro, o que não acontece com Pita; assim Peta é quem faz os acordos e Pita quem abre as pernas nas devidas alturas.

Pita é tão quente como parece. Visto que os primos estão concentrados nelas, também me concentro, entusiasmado ou não, e Peta olha-me para os meus olhos como se estes fossem um veio transmissor de onde esperasse ver um número indicador.

Gostava de saber, diz ela, se aquele número que julga ter ouvido era real, ou se era tudo conversa fiada. Toni diz-lhe que é tudo de quanto há mais real na vida, e pergunta-lhe se quer ouvir novamente. Peta diz que prefere aguardar um bocado… Sorri e pede-me outro café.

Para começar não percebo muito bem por que é que vieram até aqui…

A minha filial disse-me que me ia apresentar duas das suas amigas, mas tenho a impressão de que vieram para deitar o olho ao melhor das suas intenções…

Peta mostra aos primos umas fotos artísticas suas… parece que as fressureiras, por qualquer razão, tem um talento nato para seduzirem gente para sacar.

Faria olha para uma das fotos… qualquer homem que alguma vez tenha visto um grelo destes vê logo que se afunda, diz ele. Peta pede uma explicação, mas Faria só lhe dá ao ouvido.

Passou-se cerca de uma hora antes de Pita ter a grande vontade de dizer que tinha necessidade de ir fazer chichi.

Toni tem estado a fazer-lhe festas, excepto comê-la ali mesmo, e de todas as vezes que Toni se encosta a ela e lhe dá um aperto nas tetas, elas voltam-se uma para a outra e fazem olhinhos… Por que é não nos pomos daqui a andar e vamos para a pensão, sugere Faria, ou vamos passar a tarde a apalparmos?

«Sempre que recebemos um convite só vamos se formos as duas», diz Peta. «Não fazemos nada uma sem a outra...»

«É isso mesmo», insinua Toni. «Achas que eu ia trepar só convosco sem levar o meu primo…Mas eu não te deixaria ir sozinho, Toni. E quero alinhar agora mesmo…»

Olha na minha direcção e pisca-me o olho. A sua estratégia está no ar, como se fosse um programa, e já planeou como tirar as calças. Está a deixar correr o marfim… Nunca desistiu de uma situação destas.

Com as duas a puxar para o mesmo lado, Faria sabia como agir… mas precisa de uma muleta... É do que precisa. E elas não são as únicas que se estão a fazer a uma boa tourada…

Há putas por toda a sala… tem que se pagar, mas isso é o menos, e apesar de o primo de Faria não ser nada esquisito, Faria não tem dificuldade quanto a chamar uma puta. Cerca de dez minutos depois de já ter dado uma volta à sala, engata uma. Diz que se chama Puta, e não leva a mal por isso, e está à procura de dinheiro. Não é exactamente uma formosura, mas não é um caco; é jovem, tem o ar de quem utiliza o sabonete de vez em quando. Assim, Faria leva-a para a mesa, apresenta-a ao grupo, e depois dá-lhe de beber. Puta, também quer alinhar e Peta tem algum trunfo debaixo da manga, embora só ela saiba o que posso ser…

Peta dana-se com a gaja…não suporta ver a sua Pita a olhar para uma cana rachada… Agarra-a repentinamente pelo pescoço e atira-a contra o sofá, como um estrangulador.

«Põe-te a olhar, minha puta», grita, quando Pita começa a dar beliscões para se afastar dela. «Ah, então já querias que ela te saltasse… Bem… vamos fazer estes gajos e depois nós falamos…»

Eu farto-me de olhar para as unhas aguçadas de Pita. Cá por mim não queria entrar numa briga com aquelas unhas… comporta-se como se quisesse arrancar a pele de Peta. Mas esta não tem medo dela… talvez já estejam acostumadas a estas lutas… De qualquer modo é um espectáculo digno de novela…

Pita tira a escova e puxa o cabelo até trás para se poder tornar mais sexy, e os seus olhos são tão excitantes como tudo o resto do seu corpo. Peta mete-se a dar-lhe palmadinhas na zona do rabo que fica sobressaído, e enquanto Pita se ausenta daquilo, agarra com ela para a casa de banho e começa a esfregadela.

É realmente um espectáculo ver aquelas duas gajas à guerra por ciúmes e não fico nada surpreendido quando Puta salta para ir atrás. Ela já estava entusiasmada quando estavam a brincar umas com as outras ainda há pouco tempo, mas agora está completamente excitada...

Vai-lhes dar linguado quase até aos pés… oxalá pudesse presenciá-las… Em poucos segundos ambas vão-se amarfanhar e apalpar tudo o que é para apalpar, e desta vez não tem de se beliscarem… elas já o fizeram…

Mesmo fressureira, Peta tem um belo esqueleto, e o facto de saber que ela está virada para as mulheres não impede que eu faça uma perspectiva em análise do seu físico, mesmo diante dos meus olhos.

Finalmente Peta tem Pita completamente entregue a si…e ela própria tem competência para isso. Grita por mim, para levar um bom uísque à sua gaja. Gostaria de a ver espevitar, titila-lhe os mamilos remexendo-os com um dedo, que depois enfia-o na boca…

A serenidade de Pita é total…

Toni tem a camisa fora das calças e está a abri-la no peito, de forma a pôr em destaque a sua contemplação física.

Faria está sentado de encosto sobre Puta e, enquanto lhe acaricia o grelo, vai olhando para o de Peta.

Puta tem uma mão entre as coxas de Peta mas não consigo topar o que lhe está a fazer. Pita quer que eu lhe faça uma tosta… aquela mula só me dá trabalho…

«Aquela gaja já te viu em algum lugar?», pergunto baixinho à colaboradora no balcão. «Está a olhar para ti como se quisesse engolir-te…»

Como de costume estou a meter o meu veneno… a colaboradora segue-me o olhar e não responde. Depois afasta-se para uma mesa central, de modo a que as gajas lhe vejam melhor o perfil… Peta e Pita pararam de falar e estão concentradas, olhando calmamente umas para as outras, até que ambas se encontram tão hipnotizadas como galinhas adormecidas. Toni enrola a contar uma anedota picante. A seguir resolve ser altura de se mandar dali e pede a conta para pagar. Como não quero ser desaproveitado, também me aproveito. E enquanto as sirvo com três sumos, elas cospem-se, aquelas três mulas, e não bebem nada… excepto, olhar para mim… Peta grita e salta do sofá… quer um pano depressa… UM PANO! Grita à histérica.

Faria promete-lhe que, se ela se portar bem, talvez lhe venha a dar umas calças novas… Merda, eu antes lhe dava uma vassoura se ela varresse a sala… Puta tirou-me o pano das mãos e está a limpar o tampo da mesa todo encharcado, ao mesmo tempo que afirma que os culpados foram todas elas. Subitamente Pita agarra Peta pelos braços e abraça-a; estão a acariciar-se uma à outra como o fazem os adolescentes, e se nós não estivéssemos naquele local, jurava-se que as raparigas estavam a pedi-las…

«Não mostres já o que sabes fazer», diz Toni. Sorte Minha, podia pensar que seriam um pouco mais prudentes, pelo menos à partida… mas estas mulas não!

Pita abre as pernas e põe-se de costas; Peta não tem menos lata do que ela… enfia a mão nas partes baixas de Pita e revela-me a grande confidência.

A maior partes das fressureiras que conheci não tinha cabelos em volta da rata, aliás não tinham cabelo nenhum à volta do que quer que fosse, mas Peta não tem um só… um só que sirva de amostra.

Puta farta-se de «PTP», palavras, tantas palavras», visto bem as coisas, provavelmente tem daquilo todos os dias, ou quase, e suponho que uma pessoa se possa cansar daquilo, tal como se cansa de outras coisas. Pita quer saber por quem é que vai ser fodida… acha que é altura dos pares se decidirem.

Peta concorda com ela. Certamente é altura de se saber, diz… e assenta a perna sobre o colo de Pita, antes de esta tomar a dianteira.

«Emenda-te, minha mula» diz Peta esfregando o joelho na rata de Pita. «Queres que eles pensem que és uma gaja SELECTA! Não és puta nem és capaz de chupar uma piroca, pois não? Ouve lá, minha chupa piças… o que é que fizeste quando o senhorio nos veio falar? Sim, e logo no primeiro lance. Não deixaste o sapateiro coçar-te toda? E qual dos meus amigos é que não fizeste um broche? A todos, tenho a certeza. Oh, minha mula, não me venhas para cá com essa ladainha! Todas as vezes que vais de casa até ao café, quando regressas ou tens as cuecas todas borradas ou o nariz a cheirar a leite…»

Puta continua a limpar-me a mesa com o pano, mas de repente pára e vai apalpar Faria. Tem tanta força em apalpá-lo que quase o põe a gemer de dores… Tudo o que consigo ver de Peta e Pita são as suas mãos e as mamas que se agitam… tudo o que eles necessitam agora são um quarto e uma cama.

Toni pede para lhe levar a conta. Assim que a arrumo na bandeja e deposito-a na mesa, Pita agarra-se a Toni… mas não para lhe fazer mimos, como eu supus. Envolve-o num abraço e beija-o no rosto. Peta interrompe os mimos com ares de quem sente que está posta de lado. Tem o sangue em brasa, diz ela, não haverá alguém que lhe queira apagar o fogo?

Toni põe o braço em volta do pescoço de Peta e não presta atenção à conta… bebe ainda com mais vontade do que até aí. Eis senão quando ergue o cartão gold quase até ao meu nariz, a parte dourada para fora, despertando a atenção de Puta e Pita que podem ver exactamente a um palmo de distância como é que ele possui tantas cartolinas dourados… e viram-nas bem…

Ela quer saber o telefone dele! É a primeira coisa que Pita diz após o topanço, e dá a impressão de falar a sério. Caramba, Toni, não vai recusar o telefone a uma gaja como Pita… e da parte de Peta não há qualquer reacção em contrário. Se há alguém que mostre ciúmes é Puta… Toni pergunta a Peta se esta não se importa que dê o telefone à amiguinha…Nem pensar nisso… «Ela tem de ser fodida», responde Peta a Toni, ao mesmo tempo que brinca com o cabelo de Pita, metendo-lhe nas orelhas. «Não me importo que saia e vá fazer uns cabritos… São essas putas dessas lambe-conas que ela engata que eu não quero. Mas tu sabes o que tens a fazer, Pita, se eu digo que podes ir…»

Pita sabe… e mesmo logo lhe mostra como é. Agarra nas mãos de Peta e Toni, para não fugirem, e põem-se a caminho da pensão… Ainda vão a meio do caminho, quando Faria lhe segue as pisadas, levando a outra atrás…


(d)


Esta tarde Faria entra-me pelo bar dentro, mal falante, mole como um pastel. Você está triste, amigo… e como é que correu a tourada ontem à tarde, quero eu saber…

«Oh meu querido! Oh! Ratazana?», grita ele, gaguejando-se um pouco. «Que grande merda! Sempre me palpitou ser um coiro! Vês… quando eu me entusiasmo… talvez não haja uma próxima vez.» Percorre a sala e encosta-se ao balcão. «Ela gosta de se exibir, Ratazana... Conhecia-a ontem, foi a primeira vez que a fiz, e ela está-me atravessada na garganta… só diz que eu sou um pouco diferente. Há uma coisa que é chunga… mesmo chunga. Toda aquela esquisitice da camisinha para chupar, meu querido… explicou-me que é assim para todos! Ah, mas ela também gosta de fazer minete… na altura. É estúpida, Ratazana, e não se preocupe com o que fará quando aluada… da próxima vez não a deixo sem resposta… E, pelo amor de Deus, ponha-a noutra mesa… ela tem os amigos dela…»

«Deixe-se de dizer disparates. Ouça, Faria, pode ter a certeza que essa gaja… quando lhe der na real gana… fá-lo estar ali a bombear uma hora…»

«Uma hora? Não, uma hora não, Ratazana. Três horas, foi o que combinei…»

Faria continua a falar até que começo a entender que ele está convencido de que teve realmente um má experiência com a gaja ontem à tarde. Finalmente ponho o uísque da sua garrafa num copo alto, e digo uma coisa a Faria que o melhor é aquela que está para vir…




Tuesday, May 25, 2010


CONTOS DE RATAZANA
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DOIS HOMENS
E
UMA MULHER
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O cliente do Algarve está no bar com uma garrafa e tem em cima do cabelo uns óculos de sol. Pousa o seu Armani e chama as gajas quando eu entro na sala, mas nada se avista.

«Eiiiii… Não há gajas», resmunga o algarvio. «Estou em jejum, pá!» E o dono do bar manda ele ter calma.

Não se lembra muito bem há quanto tempo está ali, mas o tempo está por conta dele. Vou até ao quarto de banho e como estou um pouco apertado, mando um telegrama, ou coisa que se pareça.

Depois ouço ruído da campainha e saio para ver.

Assim que me encontro na sala, dou de caras com Pataco.

Tem andado a ver se me apanha o espertalhão, segundo conta, e está num estado de excitação tal que quase não consegue dar uma prá caixa.

A excitação é tanta mas primeiro tem de tomar um café conjunto com água para me pôr ao corrente do que se passa… sentámo-nos na mesa do centro, e aí cavaqueámos.

Acontece que a minha amiga empregada de balcão de nacionalidade estrangeira, apareceu a servir Pataco. Não trouxe o café como ele queria, mas foi tirar outro… uma maneira dele a fazer voltar à mesa. Pataco, com os olhos arregalados nela, quase verte o café e insiste em propor-me sociedade entre nós os dois e a empregada de balcão...

«Imagine você, aquela grandona ir ser nossa sócia», graceja ele. «Minha mãezinha, não imagino o que é que pensavam estes ambrósios quando tocassem à campainha e nos vissem os três ali ao balcão… Deviam pensar logo que nós andávamos a roê-la… Olhe, veja bem esta espingarda… o que é que um de nós faria na cama deitado com ela? Oh, meu, eu não acredito que ela seja uma pura? Não acredito?» Engole o café num lance e pede outro e também uma bebida para mim. «Ouça lá, Novais, quanto a tesão como é que se sente hoje? Está com tesão?»

«Oh, pá, não tenho relações há mais de trinta dias e até tenho pena dos meus tomates… mas quando lá for, vai ser canja…»

Encara-me serenamente, para ouvir a minha resposta.

«Olhe, Novais, vou dizer-lhe o que me parece… pode andar você a rufá-la. Mas vai sobrar alguma coisa e depois salto-lhe eu em cima… Bolas, não preciso de lhe estar a contar isto, sabe-lo bem… podia muito bem vir a ser eu a comê-la. Mas não faz o meu tipo, Novais… Só que… alguma vez viu um corpo daqueles? C´os diabos, quem é que alguma vez não ouviu falar neste ofício de uma ucra que não desse uma abébia? Gaita, antes de a ver nunca tinha pensado rufar uma ucra …»

Tenho certas reservas sobre o que Pataco estará a insinuar mas não passa de muitas e variadas fanfarronadas… Está a intervir muito mais que aquilo que está constado no bar, e a única coisa que o dana é a nega dela em aceitar uma bebida dele. Mas tenho de dizer amém nos palpites de Pataco, se bem que não a tenho no meu imaginativo, e esta sociedade no negócio do bar é tão maluca que se torna impensável.

Resumindo, acabamos por fazer mais despesa…

Eis quando, mal tínhamos acabado de nos refrescar com novas bebidas, surge uma miudinha do estilo de um manequim, que não faz cerimónia para se alapar … mas os manequins não exibem mais daquilo que ela tem. Está tão contente por ter visto Pataco, diz ela… hoje tinha todo o tempo disponível. Dá todos os indícios de querer comer alguém, isto é, a Pataco, mas ele não se abre…

Após o segundo tawny port não há dúvidas… FB, como se denomina a miudinha, está a safar-se bem. Não há a mais pequena diferença entre o seu desempenho e o desempenho que qualquer outra miúda assumiria. Tudo o que Pataco e eu possamos dizer é extremamente giro, mesmo quando nós não temos intenções de ser engraçados.

Esta miudinha! É atraente, sentada numa cadeira que faz dela crescida, cruzando as pernas em forma de oito e puxando a saia curta para cima para nos dar uma perspectiva do que está por baixo… Olho para Pataco, Pataco pisca-me o olho.

Começamos a contar as excelentes histórias do bar… ela revela-nos algumas, e não deve ser preciso muito para nos contar a história do bandido… As histórias atinge-nos de chofre… num momento nós estamos a rir… no minuto seguinte estamos completamente remetidos no silêncio. Não aguento mais a vontade até me levantar para ir verter águas… Inclino-me da cadeira, de costas para Pataco e antes de perceber o que me sucede já ela estendeu a mão para a minha braguilha e apalpa-me a gaita, dando-lhe palmadinhas com movimentos semelhantes ao das mulheres quando escolhem legumes. É uma sensação surpreendente… esses dedos de bebé a fazerem cócegas na braguilha… Deixo-me ficar onde estou, sem retorcer e deixo-a divertir-se com a coisa.

Pataco manja a cena e dá um berro.

«Eh! Então e eu?», quer ele saber… e ela não pára de me mexer enquanto envia para Pataco o seu corpo de manequim… «Tu não me passas bola.» É como se Pataco tivesse asas. Deslocando-se com uma velocidade do Red Bull, salta da cadeira e senta-se no colo de FB.

«Não dês atenção a esse baixinho», diz-lhe. «Toma, apalpa este… Não é maior?» Puxa-lhe a mão e coloca-a sobre a sua braguilha. «Não vais querer outra… É aí… aperta-o, e vê como está a crescer.» FB salta uma risadinha e levanta mais a saia e revela-nos as coxas graciosas. Ele está é com ciúmes, diz ela… são ambos o meu tipo… E imediatamente Pataco quer ver as suas mamas e quase as põe de fora… Então vê que as maminhas dela são também umas maminhas muito pequenas…

Pataco deve estar chalado… acha que está num quarto duma pensão.

Mas FB não está ali só para se mostrar a nós… mostra-se antes para todos os pesqueiros da zona do balcão, de modo a poder pescar algum promitente interessado… Levanta a pestana e atrai meia dúzia de mirones… Pataco diz para ela ir à pesca − uma ideia que tanto ele como eu estamos de acordo. Então FB atira com a língua cá para fora, rodopiando de um lado para o outro… não vivo disto… E quando se prepara para abalroar outro porto, Pataco levanta uma mão, apontando com o indicador direito…

«Ouve… e que tal experimentamos a três?», propõe Pataco. «Tenho uma situação para te ensinar umas coisas… Que te parece? Podes tocar trombone nas duas gaitas ao mesmo tempo… está bem?» Fala para FB como se estivesse a falar para uma surda e não ouvisse muito bem as suas palavras. «Talvez seja demasiado interessante como gostas, mas há mais coisas que te quero ensinar…»

FB não o deixe pôr as mãos nas cascas…

Agora vou deixar-vos a roer as unhas, diz ela, e espera que não fiquemos aborrecidos… Bem… Apoia as botas de salto alto no mármore do chão e ergue o rabo… Caminha com subtileza, deixando a barriga à mostra, enquanto se rebola num estilo andante para atender um jeitoso…

Pataco e eu olhamos um para o outro… ela tem mesmo estilo. Exibe o seu corpo com bastante atracção… Lanço-lhe um bye-bye, antecipando-me a Pataco…

FB recosta-se no balcão e brinca com um jeitoso de olhar vesgo… e quando ergo os olhos para o rosto de FB para ver como é que ela se está a safar, a cabrita pisca-me o olho…

Acho-a comercial? Ainda está por aparecer a primeira gaja que me faça um preço de reformado enquanto estou no engate e quando isso acontecer as possibilidades são de dez para um em como vou acabar por descobrir que a tipa é manca e partiu a cabeça por cair da cama… É caso para perguntar se cair da cama é comercial… uma puta é uma puta e todas elas são comerciais... Mas FB é realmente uma cabrita porreira… Não faço qualquer restrição em lhe dizer que a acho um bom pedaço. É-se obrigado a elogiá-la, tal como se elogia um bibelô minúsculo, mas de uma perfeição absoluta...

Pataco está a ser chato à espera de voltar às falas com a ucra. Nesta altura já ela nos tinha arrumado a mesa e levado o serviço na bandeja, mas ele está mais interessado que ela aceite uma bebida do que propriamente naquilo que ela está a fazer…

Pataco fica passado, quando ela o olha com um olhar tão doce como se fosse um melão de Pedras Salgadas. A primeira coisa que lhe acorre perguntar é se ela trouxe alguma bebida para beber, mas ela repete-lhe que não tem autorização para beber no serviço… Podias fazer umas coroas, diz-lhe ele, só a tomar copos de licor, talvez com um grupo restrito de clientes para não dar nas vistas… Entretanto a ucra vai-me servindo a Coca-Cola e faz mudar o rosto de Pataco para a cor vermelha… A ucra podia ser um fruto proibido, mas não há dúvidas que tem, no brilho dos seus olhos um apetite devorador de fome.

Pataco quer levá-la para o balcão e pagar-lhe uma bebida.

«Vais ver que ninguém topa», assegura ele. «Bolas, é mesmo tomar um copo e mais nada… Até aposto que já te contaram muitos filmes meus. Olha, realmente eu não tenho uma fama por aí além… isso é um facto, mas se falarmos em questão de guitas, só o meu nome indica tudo. Pergunta ao Novais que ele diz-te.»

Tem levado todos estes meses a tentar meter-se com ela com uma linguagem que parece um bocado vocabulário brejeiro…

Não há a menor possibilidade dele lhe dar a volta… Se alguma vez, quando Pataco vencer a dele, a sua voz vai parecer um trovão a cair dos céus…

Mas não é uma sensação inteiramente nova oferecer bebidas às balconistas de bares e elas esborracharem-se nas mesas…

Pataco descobriu um motivo para se lamentar… Gostaria de lhe ter apanhado o número do telefone. Não quer dar o número a ninguém, segundo diz a ucra… tudo o que deseja é só o número dela no confidente da sua lista privada, de modo a lhe poder telefonar nas horas vagas, e também quando ela necessitasse. A ucra ofende-se. Que espécie de mulher julga ele que ela é? Mas isso não a impede de lhe sacar a gorja assim que o apanha pelas costas… Pataco e eu pomo-nos a analisar o ambiente e a ucra volta para dentro do balcão, mirando-nos a ambos…

Pataco senta-se, a esfregar o nariz… tenta, repetidas vezes, dizer qualquer coisa de jeito, matutando-se e olha primeiro para o rosto de ucra e depois para mim. É óbvio o que ele tem em ideia, mas Pataco está a tornar-se fastidioso… Por fim decide-se… levanta-se e aspira profundamente o ar da tarde.

Mas eu vou ter de levar com ele até que Pataco tire os mirones de cima da figura da ucra… ela continua a dar-lhe o nega com os copos, e estão ambos de costas voltadas.

Pataco pretende saber se eu vou ou fico. Faço sinal a Pataco para se mandar só, e ele, trocista, abre a boca e diz que me posso ir foder se não carimbo aquilo…

A seguir desanda dali para fora.


Tuesday, May 18, 2010


CONTOS DE RATAZANA
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“UM ARROZ DE CABIDELA
E
UMAS RATAS…”
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Para uma pessoa do estilo de Miss Piggy, como era chamada pelos amigos, só havia dois possíveis remédios: jogo e cama. A experiência da vida deixou-a despassarada e solitária, mas capaz de encontrar alguém que está sempre á mão do telefone. Pega nele e faz umas tantas chamadas.

Não conhece o amigo novo do grupo de S. João da Madeira, mas está demasiadamente histérica para o conhecer com calma, mas se vier que traga os seus amigos, todos eles vão receber uma surpresa.

Américo… eis um porreiraço! Pelo menos, as suas piadas não são maçadoras, como alguns dos seus amorosos amigos. E desde que ele não cometa burrices, desde que não seja maçudo, nem seja forreta, a sua vinda parece ser bem vista.

Miss Piggy respeita os seus amigos, as suas frontalidades, e está-se borrifando para que digam mal dela… um grande número de pessoas que ela conhece já estão na meia-idade, tanto homens, como mulheres. Depois de fazer uma mão cheia de telefonemas, fica relaxada. Ainda descascada, aninha-se no sofá e abre uma garrafa de uísque. Toma um trago de lance rápido. É daquelas que necessita dum uísque para entrar num programazito… a erecção que tinha com eles tem-na também com elas. No seu afamado andar, com as janelas fechadas e as cortinas corridas, consegue por fim dar forma ao seu plano.

Piggy não pára de pensar… não deve nem pode, tem de se fazer à vida para atenuar os vícios que criou. O telefone acalmou-a um bocado; dá a impressão de ter ganho forças para fazer frente a uma manada de cabritos. Puxa o lençol para as pernas, e acaricia a pintelheira… não porque lhe coce, mas para se certificar se a rata ainda está no mesmo sítio.

Os amigos de Américo telefonam a sugerir que seria uma boa ideia se Piggy cozinhasse, em sua casa, um arroz de cabidela… não gostam muito de comer pito que não seja caseiro. Mas ela promete ser tão boa cozinheira como na cama. Agarra as roupas à balda, sai do sofá e afasta-se para a cozinha.

Às sete e pico… Marques, Sampaio, Pinto e Américo… saem do Mercedes e andam pela rua antes de tocar no botão da campainha, e aguardam três longos minutos enquanto ela procurava pôr o arroz ao lume.

Já não é a primeira vez que Piggy faz um papel destes. Sempre gostou de paparicar os amigos, mas dos bons… dos que pagam sem palrar se elas forem meigas na cama.

Piggy recebe-os entre sorrisos e beijos e leva-os directamente para a sala, armando a mesa com copos, gelo e uísque, e um sirvam-se à vontade. Depois, e quase ao mesmo tempo, surgem do quarto duas macacas com as mamas á solta mesmo em frente dos narizes deles, estremecendo como umas cortinas ao vento. Estupores, nem os deixam respirar, estas macacas… baloiçam os marmelos, com o interesse de os pôr mais esfomeados. A língua de uma delas começa a serpentear fora dos lábios quase se assemelha à língua de uma cobra… Um deles sente a tentação de ferrar os dentes naquela língua avermelhada que ela exibe, mas fica-se pela mirada.

Na sala, o ambiente está febril e elas continuam tão quentes como antes. E ainda os foguetes não chegaram aos céus, se bem que os calores já lhes tenham chegado acima.

Desde que Américo começou a brincar com a mulher que servia à mesa na sala, uma mulher chamada Rata, o tesão aumentou-lhe tanto como a cabeça de um touro e sente a cabeça da gaita como se alguém a tivesse dado com uma marreta. É uma erecção tão dura que, depois de se ter enfiado na casa de banho, rega-a com água fria e deixa-se por lá durante uns minutos.

Rata curte-o, mas tem as suas próprias ideias sobre como deve lidar com ele. Agarra-o logo e, antes que ele ferva, deita-o na cama e começam a fazer amor. Aquela Rata… depois de um início de aquecimento começa por lambê-lo dos pés à cabeça. Geme… podia-te comer em menos de três minutos, diz-lhe ela… mas ele tem formas para crer que não seria bem assim… puxa o lençol para debaixo dos seus pés e tira-lhe os óculos da cara.

«Gostei da rapariga que servia de empregada de mesa à sala, exclama Américo a Piggy… e pergunta coisas sobre ela por considerar a mulher com uma técnica levada da breca…

«Ela é casada, tem um puto… e nada do que faz chega aos ouvidos do homem… o homem julga-a uma mulher de muitos expedientes e sente-se feliz por ela trazer a carteira recheada de notas dias a fio…»

Depois de passar alguns minutos a mostrar-lhes como confeccionou o pica-no- chão, Piggy suspira de satisfação. Há alturas, diz-lhes, em que desejo comer um frango na churrascaria de que um frango do campo… Se o Sr. Sampaio não me tivesse pedido, hoje, não saberia o trabalho que me deu arranjar o pito caseiro… o meigo Pinto em linguado com uma das acompanhantes responde rápido… Sim, embora você saiba que nós vamos pagar bem por este serviço, como se estivéssemos a comer num bom restaurante do Porto.

Este é um dos pontos em que todos estão de acordo. Embora saibam que alguns seriam capazes de comer qualquer coisa para não saírem dali sem o privilégio de irem para a cama com as mulheres.

Caramba, a quantidade de arroz que ali há no tacho é surpreendente! Antes de pegarem nos talheres, Piggy pede-lhes para se agruparem na mesa aos pares. Ela com Sampaio, o estreante Américo com a surpresa Rata e Marques e Pinto com as duas parceiras.

Uma comezaina, naquela noite, sem umas fodas não é suficiente para eles. Eles metem mais duas colheradas de arroz à boca para poder beber mais uns copos de vinho… depois já estão finos para o circo. Deixam-se estar nas larachas, agarrados a elas a roçar o pau, espevitando-as e arranjando o programa dentro daquele ardor que sai delas… em seguida, agarram nelas, seguem para o quarto, e saltam-lhes para o pêlo…

A parceira de Marques não se contenta por chupar no caramilo e esperar pelos espermas… agarra as mamas e espeta-lhas na cara, pedindo-lhe que lhas chupe da tal forma que, por um momento, parece que as mamas botam leite. A parceira do lado põe os braços e as pernas à volta de Pinto e o seu sexo fecha e engole o pintainho…

Piggy fica em transe ao ver Sampaio nu de pénis erguido! De repente, ela rebola-se no soalho, trepa para cima dele, mete-se debaixo dele, e por fim, ele agarra-a de passagem, deita-a de cu e sente ela estremecer… Ela não pára de ser vir… e ele também não…

Em seguida, ao fumarem, Sampaio quer saber, se ela não é uma melhor foda do que Rata… Aquela-cara-de-chinesa-que-faz-do-pénis-gato-sapato, como Sampaio diz. Porque razão uma mulher como eu, tem ciúmes da maneira como Rata fode? Para amadores, sim, ele podia entender que os amadores gostassem de deitar abaixo a Rata… e ela não se ralavam nada com isso, até pelo contrário. Mas com homens já traquejados… não é ela melhor do que eu, que sou uma mulher de cinco artes, com tudo o que é bom no sítio para satisfazer o desejo de um qualquer homem, do que aquele peito raso, aquela fodita…

Como raio saberá um homem responder a um assunto desses? Rata, por si própria, tem a sua técnica… não se pode compará-las pelos estilos vulgares, porque não existe outras iguais, em parte alguma. Sampaio responde, perguntando a Piggy se não se sente enciumada pela atracção da amiga… Ah, mas isso é grupo! Se Rata não fosse minha amiga de verdade não lhe passava cartão nenhum… nenhum, mesmo. O que, evidentemente, é um dado adquirido. Sem dúvida que o facto de serem associadas por esquemas de engate favorece e apimenta a relação com uma tipa como Rata. Rata levaria qualquer um para a cama de Piggy sempre que lhe desse na real corneta.

Piggy continua a relatar em lábia corrida alguns dos casos mais emotivos dos seus episódios com a amiga… Parece que Rata conseguiu sacar à amiga todos os números interessantes de telefones dos clientes que Piggy conhece… e em troca ela cobrou algumas das suas próprias exigências. Todavia o que Sampaio acha de maior interesse na conversa é o facto de Piggy ter insistido com ele que na próxima vez, lhe fará um truá(*) com a amiga, ela e ele na cama. Tem-no na ponta do rebuçado. Claro que agora está tudo mais inflamado… mas se esta noite eu não tenho estado contigo, diz Piggy com um beliscão… ah, teria sido uma perda… sim, era uma perda, concerteza…

Mesmo sem nenhum deles se ter esforçado muito, Sampaio já se dava por muito satisfeito em estar ali esticado, dando uma troçada branda em Piggy, mas os seus planos são outros, e bem diferentes, certamente. Entusiasma-se… por fim trepa para cima dela e mostra-lhe como é que a maquinaria funciona na segunda. E proporciona-lhe uma bela troçada cheia de cagaçal e agitação… não há hipótese…

Tanto quanto dão a atender, Américo e Rata não se satisfazem só com uma foda. Pelo menos, não se comportam como se estivessem satisfeitos… da maneira como gozam a marmelada que gerem, dá a impressão de que estão em jejum há meses… Ele contorce-se como um dançarino de Chula com reviravoltas na cama… agarra-lhe pelo ânus, dá-lhe um beliscão e abre-lhe as nádegas… ela quase o atira da cama abaixo, quando ele começa a fazer-lhe cócegas na pintelheira em volta do recto.

Marques torna-se aéreo… passado algum tempo sem estar a montar, salta para cima da sua parceira e põe-se a espreitar para o espelho de aumento existente em cima da cómoda. Depois, aí está ele a mirar-se, e na primeira espreitadela que lança ao que vê lá em baixo quase acaba com ele.

Mas o que é ISTO, exclama, mas depois de ter continuado a olhar durante alguns minutos já o satisfaz cada vez mais.

Possui-a agora, decide ele, uma pichota muito fiel ao dono que se porta às mil maravilhas para incendiar fogos…

Ele quer ver o que sucede quando se vir, diz Marques… mas quando isso se verifica tem os tomates tão vazios que não acredita que tenha alguma noção daquilo que está a ver… Por fim fica silencioso durante alguns minutos. Está sentado no centro da cama, de cócoras e começa a falar do seu Sporting.

Nesta altura, alguns deles já se fixavam na sala mais aliviados. Estão sentados ao lado delas na mesa, de pernas abertas e a escorropichar a garrafa de uísque de modo a refrescar um pouco o alívio, e trocam opiniões acerca de Ratazana. É óbvio que falar nessa personagem os entusiasmam, apesar de uma delas lhes querer fazer crer que agora se sente descomplexada com tudo aquilo que lá passou… Ratazana foi um professor para todas as gajas do seu naipe, é sabido… seria completamente estúpido se o não fizesse… e se alguém no seu seio não tinha conseguido superar qualquer outra do grupo, fora por mera burrice, sem dúvida.

Eles manifestam interesse em saber quanto é que Piggy tenciona cobrar por cada um… Leva algum tempo a raciocinar Pinto da sua contabilidade, mas está convencido de que não vai ser nada barata, e depois de lhe ser dito o número da totalidade da despesa, ele começa a fazer contas mais uma vez.

Logo que sabem o que toca a cada um, Marques dá um salto da cadeira e desata aos berros. Tem ambos os olhos abertos sobre o nariz… Alguém o tenta acalmar, mas antes que ele faça mais chiqueiro, Piggy deita alguns goles de uísque para dentro do copo… só para o ver calado… Se isto se passasse com Américo, Pinto ou mesmo com Sampaio não teria tanto banzé… mas Marques é um tipo tão semítico e tão patinhas que a cena se torna engraçada.

Finalmente voltam às contas… se lhe deixasse uma gorja, talvez a próxima visita melhorasse, pensa Américo… Escorrega-lhe uma nota de cinquenta euros e Piggy ainda berra mais do que Marques antes… agora tudo o que eles querem é livrarem-se delas o mais depressa possível. Limitam-se a deixar-lhe uma de vinte na mão e a despedirem-se… despedem-se até ficar cansados, e quanto mais ela barafusta mais eles gozam…

Quando acaba por ver o tombo que leva na carteira, Pinto continua a fazer contas de cabeça e fica fulo… Então tem uma ideia que não é exactamente a melhor de todas as ideias imagináveis. Ainda tem uísque no copo para cima de meio, e antes que alguém possa imaginar, ele deixa cair umas doses de uísque para cima do pénis…

E de chofre, sem ter deixado a parceira perceber o que lhe ia fazer, pede-lhe para que ela lhe faça um vovó…

Assim que ela o chupa fica completamente extraviado. Puxa o cabelo, dá um palavrão do tamanho da Torre dos Clérigos e desata às gargalhadas na sala… está a passar-se, tem os olhos a aumentar, está a ficar em desacerto com os fusíveis interiores… mas adora-o o pinta… e de repente pára de gargalhar e envolve-se nos braços dela, rogando que lho chupe mais um pouco. Está a querer vir-se… quer que ela o chupe com mais força… Ouve-se uma voz engrossada… vê se é para hoje, pá, comentário dum deles...

São loucos, estes pintas… todos estes pintas da noite, sem excepção…. Dê-lhes o que lhes der, é fixe, é espectáculo…

Querem divertir-se à grande e à francesa? Ah, vão logo correr comprar uma fatiota! Ficam marados por tudo, e qualquer coisa que os mexe é altamente.

Não há outra explicação… nenhum pinta fecha bem a mala…



* Amor a três.


Friday, April 16, 2010


CONTOS DE RATAZANA
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AS CHAVALAS DO BAIRRO
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As chavalas do bairro querem uma borga. Dão-me a dica maliciosamente, quando uma tarde nos encontrámos no bar.

Gostariam que eu organizasse um programa de maneira a que alguns amigos próximos as fodessem por atacado numas das breves noites… mas muito breve.

Estas não são as chavalas que eu conheci há uns tempos atrás, mas todas elas mudaram rápido em pouco tempo.

Uma coisa é certa, elas são o estilo ideal para o tipo de trabalho que propõe… têm o ar juvenil e o comportamento de galinhas-do-mato, figuras curvadas como uma viola, vestem ganga e possuem muita palheta. Acrescentado mais palavras, possuem todos os bons ingredientes que lhe permitem conduzirem-se como umas putinhas de cinco contos furados.

Pergunto-lhes quantos são que elas gostariam de levar… Um, dois, três… acham que chegam? Sim, elas pensam que três chegam bem… não muitos, mas em número suficiente para se passar um bocado da noite interessante. E toda a malta vai estar excitadíssima a tornar as coisas muito esquentadas.

Não tenho mesmo a mínima dificuldade em organizar o programa. Os parceiros não levantam o mais pequeno problema em alinhar nas bebidas e no aposento.

Aquelas chavalas, darem-me uma dica daquelas! Bom, hei-de proporcionar-lhes um programa à medida daquilo que estão a pedir…

Mantenho-me afastado deles durante as seis horas antes do programa, servindo dúzias de bebidas, cafés e sanduíches.

Puxo lábia a Trícia, a mais nova das chavalas, durante a parte da hora do jantar do dia da sua estreia. Está ansiosa… nunca antes fez nada em grupos. Como aperitivo sugiro-lhe irmos no meu carro para dar um aquecimento antes do início do programa, mas a cabrita não alinha nisso.

Nem penses, diz ela, até chegar a hora… era a mesma coisa que brincar às escondidinhas…

Termino o meu serviço, e depois embalo atrás dos carros deles, e perco-me no engarrafamento, por isso quando entro na discoteca, Toneca, Cigano e as chavalas já lá estão. Violeta, a mais mexida atira-se à pista, mas não vai só… ela chama Canário que a acompanha na dança do rebola a cesta... Nestes programas não é de perder tempo para pôr as ganchetas no abana… Bebendo calmamente, conversando um pouco para que a tourada não seja tão à toa, deixámos passar duas horas até o baile arrefecer.

Nesta altura já toda a malta está farta, naquele ponto em que uma bebida tem um comprido caminho a percorrer.

Cigano mostra-nos, pela última vez, a habilidade na rumba que consiste em por a peida a girar à moda de Cantinflas.

Canário passa de par em par, parecendo dar as voltinhas do Marão. Roça-se no meu pau, esperando que eu fique com tesão e quando vê que o pau está duro vai-se embora para o quarto de banho... tudo isto, e muito mais, debaixo de um olhar prometedor…

Levamo-las, todos os três, para a pensão e Cigano é o primeiro a tirar a roupa e a pô-la no chão… Enquanto se descompõe arranja maneira de abanar a gaita, numa forma de a relançar para o trabalho e vai dizendo para quem o quer ouvir.

«Vejam aqui o meu arsenal», diz ele.

Trícia dá um grito e atira-se a ele… agarra-o e caem ao chão. Ele deita-lhe a mão por baixo e deixa-a brincar com ele quando se ouve uma exclamação sobre quem apagou a luz. Eu reivindico o acto; Toneca, à procura do melhor, diz que precisa de uma foda, mais do que qualquer um de nós…

Há uma data de gemidos no ar enquanto me dispo. Canário é a única pessoa que parece não saber para que lado se há-de virar… Está debruçada no beiral da janela e topa-me a despir… por qualquer motivo, dá a impressão de estar à minha espera.

Não estou com o pau como devia estar, mas Canário é a miúda indicada para tratar de mim. Assim que chego perto dela, os seus olhos parecem duas lanças apontadas ao malho, e com as duas mãos aplica-me tremendo bico que fico de olhos vidrados a ver estrelas… Estou tão acelerado, perco o controlo e vou abaixo das ganchetas que me venho quase antes de começar a malhá-la…

Oh, é suficiente bom enquanto dura, e assim que eu estrebucho, salta Cigano. Parece um cavalo enquanto a come. Até fico com a impressão que tomou Viagra em dose dupla. Galga como um animal e Canário quase sufoca com falta de ar.

No centro do quarto, Violeta mexe as pernas e abraça Toneca contra ela, berrando tão alto quanto pode. Estão ambos deitados no chão, com as línguas tão erectas como facas de aço… a sua fúria ainda só agora começara…

Santíssimo, se alguém entrasse agora, não precisava de lamparina para saber que havia umas ratas nas proximidades… o que me admira é o chinfrim não atrair os ouvidos do recepcionista da pensão. E o fedor… ainda bem que estou constipado e não devo ter olfacto…

Violeta ainda não se veio, embora Toneca a martele com fúria como se estivesse a pedalar para uma corrida com ela. Dá-lhe unhadas no cu para lhe acelerar o ritmo, ordena-lhe que se mexe prá aqui ou prá ali, diga isto ou diga aquilo, como se tivesse à espera dessas coisas para soltar o santo pombo antes dela.

Ela acha burrice, a pega. Está disposta ao serviço… experimentava fazer meia dúzia de gajos, se neste momento lhe pagassem para o fazer…

Trícia aproxima-se mais, e assim que está próximo deles, ele põe-lhe as mãos em cima das mamas. Toneca solta a língua e deixa que ela agarre a dele num frente-a-frente… ferra-a até a deixar cor de areia, está tão em excitação que é menina de lhe arrancar a língua, se não se puser a toques…

Cigano termina, com um berro que quase parte os vidros da janela, e realmente dá o litro com Canário nos segundos derradeiros. Cansou-a de pé, mas não lhe provocou orgasmo. Canário está pelos cabelos quando lava a rata enxugando-a com uma toalha de mão embebida em água quente… quem raio, diz ela para si, deseja foder com um boi daqueles? Deixa-se ficar por ali um bocado antes de voltar para dentro.

Toneca está a chegar ao fim… geme e omite «Ais» e «Óhs» vezes sem conta e, durante largos segundos, fica demasiado grogue para fazer outra coisa senão ficar esticado e deixa Violeta a falar sozinha. No fim do número Violeta parece ficar excitada em demasia e obriga Cigano a comê-la mesmo ali no chão.

Canário deve ter estado a seguir o meu trajecto desde ao bocado… seja como for, continua interessado de novo em pôr-me à prova. Gatinha para mim, quando me apanha encostado a um canto a fumar e começa a lamber-me o pescoço e as orelhas.

«Por onde é que andaste meu Ratazana?», quer ela saber.

Há alguma malandrice. Canário acha que a devia levar para a cama, antes de continuarmos… uma pausa para respirarmos e enfiarmos por cima do colchão, com ela por cima. Está arrepiada, mas depois de uma ou duas esfregadelas fica tão quente como eu, e por fim, ela avia-se aos solavancos.

Trícia ainda continua interessada em ser a rainha da festa. Podia-se pensar que após uma tourada destas ela estaria exausta mesmo que fosse só para fazer o papel de chegadeira. Mas com Trícia tem que se contar sempre.

Trícia resolve, quando está a fazer a segunda passagem sobre Toneca, que devia ser um gozo especial expressar nabo ao masturbar-se. Violeta tenta dizer-lhe que não vai conseguir… vais ter de o dizer como o dizes agora, avisa-a ela… Trícia olha na minha direcção...

«Que se lixe o modo», digo-lhe. «Vá, lá, quero ver isso.»

«Claro, queremos também ver», encoraja-a Toneca. «Porra, não deve custar muito a dizê-lo…»

E assim Trícia abre as pernas.

Desta vez move-se e esperneia-se como uma galinha-do-mato… mas não perde tempo. Toneca mantém-se firme por baixo, com a língua na boca dela. Os outros e eu assentámo-nos no chão para a ver agir.

Depois de se empregar a fundo, mantém a língua enfiada e nem uma sílaba sai… o andamento dela diz que está a agir de uma forma mais andante que ela alguma vez curtiu… Os corpos deles produzem ritmos ofegantes… alucinantes…

Toneca parece estar a tentar que ela se despache o mais depressa.

Trícia mandou-se ao ar quando Toneca parou de bombear… roga-lhe com suplício, para se aguentar mais um segundito… é que já está a chegar-lhe os leites, diz ela…

Toneca diz que está todo roto… O gozo de Trícia desperta o interesse de todos que querem ver se ela consegue manter a sua.

Mas Trícia, com o tesão a chegar-lhe ao pito, torna-se uma fera.

Três segundos e depois está-se a vir… dizendo em termo pausado a palavra na-bo-oooo… e logo a seguir, na-bo-zinho-oooo… e depois cai para o lado… e como ela ri com essa cena caricata! Há muito tempo que não se abre uma janela… a atmosfera está carregada de leite que tolhe e cheia de fumo de tabaco.

Para mim as horas começam a arrastar-se pesadamente e as coisas começam a perder fulgor. Uma chapinada de água nas ventas aclara as coisas durante um tempito, mas é somente um tempo curto… é necessária uma quantidade mais abundante para clarificar melhor as coisas, Observo Trícia a rir em simultâneo com Toneca, deitados no chão e o resto do grupo, entretidos com a cena e também quase todos de tacha arreganhada.

O grupo está demasiado estoirado para prosseguir.

Acabaram-se as fodas… é a conclusão inequívoca de que a borga terminou. Mas Cigano quer mais uma rapidinha. Pica-as a todas, mas é mais olhos que barriga, e mesmo que quisesse não o consegue pôr de pé. Elas ficam-se pelo alívio… não o tentam entusiasmar.

Depois os três… Toneca, Cigano e eu… lá nos fomos vestir e damos pelo tempo bem empregue. Da janela vejo um peido mal amanhado que vem acompanhado duma cavalona, e vão entrar para a recepção. Vai ser uma cabritada à moda antiga para ele, segundo penso.

Olho o céu escuro fixamente… o ar que dele provém enchem-me e ilumina toda a minha alma.

Arremesso-me para dentro do carro e quando o motor desliza pelo asfalto, a escuridão abate-se sobre mim…

Sunday, March 14, 2010






CONTOS DE RATAZANA
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O que há de melhor nas nossas histórias são os momentos hilariantes que passámos, no que há do bom ao pior. Nos meus tempos de recepcionista nocturno, em meados dos anos 72, passaram-se coisas do arco-da-velha.

Comecemos por esta:

Naquela época de calor, apareceu aquela rapariga saloia vinda da raia de Espanha. Acabou por se descobrir que andava ao engate, sem eira nem beira, com mais cabritos do que a Madalena da rua do Bonjardim. Em suma; uma sobremesa envenenada. Os hóspedes solteiros abriam fileiras sempre que a viam passar pelos corredores.

O engenheiro “moussiú”, de nacionalidade francesa, que andava de olho nela como um lince, não descansou enquanto não a levou para o seu quarto e a trancou lá dentro com uma garrafa de champanhe Don Perignon e uvas passas.

Proporcionou-lhe o indispensável e possível: bebida (mas embora ele gostasse de champanhe, ela preferiu beber vindo do Porto, e pela garrafa, como mandam as regras dos bebedores); sem roupa do umbigo para cima e alguma táctica de engodo (e isto era o que mais a incomodava, porque ela estava habituada ao ligeiro mergulhar de lábios e pronto, já está, de modo que não pareceu interessada em aprender nada de novo.)

Ao fim de satisfazerem as necessidades fisiológicas um do outro, o engenheiro depressa entendeu de que o mal que a rapariga sofria era da falta de larjan (dinheiro) e não teve outro remédio senão puxar os cordões à bolsa.

Mas nessa noite, sucederam-se casos diferentes. Curiosamente o casal do quarto 17 esfregava-se na banheira de uma banda para a outra guinchando e murmurando frases sem nexo como um chimpanzé numa gaiola.

Era um homem de tempestades, um daqueles que, para dar uma boa pincelada, precisava de dar ensaboadelas nos tomates e arrancar cabelos da pachacha com a língua.

A parceira ou a “prostitutaespecial”, cada uma por gostos diferentes, gemia em choros e brandia, as frases de olhos fechados, virados para o tecto.

As queixas que recebi de alguns hóspedes, levaram-me a emitir alguns toques pelo PBX, de forma a acalmar a travessia do mar do Atlântico.


Mas, naquele mês de risonho Verão, mais um caso surgiu. Um cliente conhecido por Frank rendeu-se aos encantos de uma fulana conhecida pela Cabide e tornaram-se namorados numa noite de conversa fiada. Durante esse tempo todo, Frank acabou por confessar:

«Agora que te encontrei, não me foges mais.» -

Noite após noite, Frank e Cabide estenderam a amizade criando um elo forte entre ambos.

«O melhor que tu fizeste - disse Frank - foi dizeres que me amaste a partir daquela noite, - E Cabide responde: - Também me ajudaste, não é?» Passa uma onda passageira pelo olhar de Frank.

«Gosto do teu olhar de esgriva!» - E a Cabide: - E eu gosto do teu estilo de samaritano!» -

… Enquanto os outros clientes se divertiam em contos e histórias, eles abandonavam a sala e desapareciam num repente.

Apenas o recado: «volto já»

Não muito longe da cidade, num número da porta do motel, os impulsos traidores esperavam por eles. Frank ficou de sentinela à espera que Cabide tirasse a mantilha de trapos que lhe aquecia os ossos do seu corpo esguio.

«Cabide! Oh, Meu Deus como és tão magricela!» -

Ela dá pulos de galinha na cama, enquanto ele fica de crista no ar a olhar pasmado. Cabide vai ao encontro dele:

«Tinhas de dizer-me isso? - agarrou-lhe no braço. - Não vês que assim fico sem vontade?» -

«É isso mesmo - diz Frank. - Diz-me onde é que eu me vou agarrar com este griso. Se ao menos tivesses umas banhas onde eu pudesse deitar a luva!...» -

«Cala-te, que excitação a tua! - grita ela. - Arre que sarna! Embora seja magra, tenho um corpo para dar e vender!» -

Ele dá-lhe uma palmada no cu e diz:

«Ainda o dizes, rapariga! Mas eu, quando te apalpar, é para te partir toda! E finalmente estou a ver-te com essa cara de galinha-do-mato!» -



(Em amizade a Fernando Catarino e à trupe de
Pipocas da zona de Marco de Canaveses)