Thursday, August 12, 2010




CONTOS DE RATAZANA
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OS HOBBIES DE RIBEIRINHO…


Ribeirinho pensa que eu devo usar a minha influência sobre uma gaja boa, alguém com quem pudesse fazer uma parceria no bar. Há um sistema a mudar, garante-me, sistema para todos os que estiverem por dentro e, tanto ele como eu podíamos ganhar uns trocos somente por angariarmos uns quantos clientes.

Ribeirinha já anda a explorar tanta gente há tantos anos que já nem realmente se dá conta de que o faz… acha-se um especialista a apanhar incautos caídos de pára-quedas. Ribeirinho cansa-se muito para viver sem cansaço…

É um pacifista, Ribeirinho é pacifista e acredita nas soluções. De que outro modo é que alguém como ele conseguiria ganhar a vida? pergunta ele. É o que resta dos anos que passou nas explorações do bar. Entregaram-lhe, mas tiraram-lhe a privacidade dos hobbies… deixaram-no sem tratar dos cães, dos carros, do jardim, e a TV/Internet, o JN/ Grande Porto… tudo motivado concretamente pela falta de gente habilidosa que vegeta na boémia da Invicta, onde frequentam os locais mais rascas da cidade…

De qualquer maneira Ribeirinho pensa que eu tenho a vantagem da influência − ou da proximidade, pelo menos, sobre as gajas boas…

«Mas que diabo andas tu por aí a fazer quando visitas as capelinhas?», pergunto eu. «Não tens mesmo uma ideia? Olha que vagabundam por aí gajas que valem ouro… há uma resma delas… uma resma de aproveitares a ganhar dinheiro. Olha, tu até podias dar umas percentagens dos clientes que elas levam… elas não se iam importar por ganhar um pouco mais… c´os diabos, se calhar nem se importavam mesmo…

Somos interrompidos por Paula, que diz que tem uma história gira para me contar. Tem uma colaboradora na sua casa de arranjinhos, cujo nome não quis divulgar, que lhe pregou uma partida que a deixou arrasada…

«Ela era apenas uma colaboradora… vocês sabem, uma colaboradora muito íntima e eu apresentei-lhe os meus fregueses e ensinei-lhe todos aqueles truques de foda rápida que uma mulher de meia-idade certamente devia saber. Depois ela foi-me à carteira… e eu mandei-a de frosque. É para ver os sentimentos que estas putas têm por quem lhes deita a mão. Mas passadas duas semanas ela regressou. O meu freguês tinha a mulher em férias e queria uma completa… bem, o que se passou é que ela viu-me fora de portas… vai daí, levou uma mão cheia de fregueses para a cama e voltou a roubar-me…

«Roubou-a? Ordinária!». E o meu amigo olha muito admirado… Até que lhe resolve perguntar. «Como é que ela lhe roubou? Foi outra vez à carteira? Apanhou-a em flagrante?»

«Sim… tinha uma máquina de vídeo camuflada num candeeiro. À noite, liguei o televisor e passei a cassete atrás… e lá estava a puta c´os fregueses na minha cama a malhar… E quanto a mim, ponto final com a puta! Que é que vocês acham disto?»

Como nem Ribeirinho nem eu achamos muita graça à história, Paula encaminha a conversa para a mesa de uns clientes. Agora que eu ia pedir-lhe para mudar de conversa, diz ele… é que ela se foi, mas eu hei-de ter uma conversa de a levar para o bar. Entretanto ele gostaria de conhecer uma trintona atraente, alguém com quem pudesse praticar uma parceria. Mas uma que quisesse ganhar dinheiro, apresse-se ele a acrescentar. Uma que ganhasse a sua vida, seria óptimo, e então uma puta seria melhor, diz ele… Digo-lhe que já conheço poucas trintonas atraentes, mas talvez Tina faça uma vaquinha ou tenha uma ou duas que queiram… Vou informar-me. Ribeirinho fica muito agradecido… ofereço-lhe um café e uma bebida. Qualquer gaja serve, insiste em que qualquer uma servirá, absolutamente, desde que não tenha piolhos e tenha os dentes todos da frente…

Mais tarde, depois de ter falado com Tina e Ribeirinho tê-la levado para o bar, acabo o meu serviço e redigo uma página para os cibernautas da internet, (1) até ir ao encontro de Ribeirinho. Sente-se extraordinariamente bem-disposto, e só fala de Tina.

Que mulher! Oh, que mulher e cheia de olho! Não quero saber, se tem uma casa de meninas, só quero que chegue ao bar às nove da noite! É claro que teve de entrar no sistema para trabalhar com Tina… assim, disse-lhe que tinha de fazer o jogo dela… se ela lhe fizer alguma observação, o melhor é dizer-lhe que estão juntos nessa jogatana de cabritos. Além disso encontra-se tão animado a falar de Tina que quase não ouve nada do que eu estou a dizer.

«Ela sabe como se deve sacar», diz-me ele. «Ó, pá, ela sabe tudo a respeito de sacar. Ratazana, tu ainda não tinhas entrado há meia hora, e já nós estávamos nas manobras! Podes crer! Bolas, sabes como esta coisas se fazem… agora fala-se pouco e bebe-se menos, e no minuto a seguir mete-se-lhe a conta ao freguês e está no ir pró quarto…

Detemo-nos enquanto Tina bate o pé no chão para acordar um freguês que está a ressonar numa mesa dos fundos, perturbando a música que sai das colunas, e lhe dá cinco minutos para se pôr fino. Empurra uma mulher que aparece nas escadas, chorona, um seio de fora do vestido, falando ao telemóvel histericamente.

«É melhor sair, disse ela», continua Ribeirinho, «portanto, lá fui para o meu escritório… mesmo assim, pus-me à cuca! Não é o raio de uma manobra, que me atrapalha… queria estar ali a ver como é que ela actuava, naquele sistema com a mulher da idade da tia e também ir com a quarentona para a mesa do freguês! Primeiro a mulher da idade da tia, depois com a quarentona… oh, my God! E deixa-me contar-te uma coisa… lembras-te do que te contei acerca da mulher da idade da tia? Que ela me fez ir buscá-la a casa a cerca de quinze quilómetros do Porto e queria que a levasse de volta? Bom, a quarentona, idem, aspas… Sim senhor, a primeira vez que veio para o trabalho, não teve pejo nenhuma em me solicitar para a levar a casa! Pela tua saúde, Ratazana, já não sei se quero continuar com este sistema ou não… quando existem gimbras como estas nos cabritos. O maior problema, agora, é a mudança… não sei se deva voltar aos alternes, ou ir por aí…

Ribeirinho teima em relatar o assunto durante alguns minutos, mas volta a falar de Tina e das gajas monstruosas que ela acompanha. Ela contou-lhe histórias nas folgas, diz-me ele, e quer que eu adivinhe quantas fodas ela deu.

«Um milhão!», exclamou velozmente. «Oh, talvez hoje essa marca já tenha ultrapassado, mas deixa ver… deixa ver até ela atingir a idade do caruncho e então vais ver. Principalmente se ela se mantiver nessa vida, todos os dias e noites a malhar. Há quem foda uma mulher destas sessenta vezes por mês, quando se é cliente há dez, quinze anos… Ora uma mulher destas chega a ter mais de uma centena de cabritos-mês… Histórias de fodas dadas… e também de fodas levadas… sabias que ela vem-se por simpatia? Pois vem-se… bom, pelo menos disse que era constante acordar molhada… Mas porque diabo é que não vim para os alternes quando tomei conta do bar? O que é que se passou comigo numa altura dessas? Mas talvez fosse bom não ter vindo... Não o teria experimentado… tal como tu ainda não te cansaste. Que idade tens, cerca de cinquenta? Ó, pá, aceita o meu conselho, vai para a reforma e arranja duas centenas de milhar de euros, depois vem para o rio Douro e vive para o resto da tua vida… Mas não te estabeleças… não te estabeleças, faças lá o que fizeres, porque tens sempre oportunidade de conhecer uma gaja manobradora como esta Tina para te contar histórias e te fazer umas cócegas, se tiveres duas centenas de milhar de euros…»

É um bom conselho, mas Ribeirinho não pensa em me dizer onde é que eu vou arranjar as centenas de euros. A sua cabeça preocupa-se com assuntos mais importantes.

«Nunca hei-de esquecer o aspecto dela quando se amarfanhou e ficou ali no sofá, exibindo o latim e desafiando o freguês pró chegadinho. Ela também não era tão acanhada a falar… só que contava muita história. Que raio de paleio para se falar acerca de engate! Preferia que não gastasse tanto latim… pelo menos evitava que eu perdesse tanto tempo.»

«Penso», disse Ribeirinho, mais tarde, quando estávamos no bar, «que devia esperar que ela fosse assim. Afinal, se as amigas eram tão rascas, ela também não devia fugir à regra... está-lhe na veia. Mas escuta, Ratazana, a partir de agora vou deixar de pensar em Tina e nas suas acompanhantes… portanto, sempre que eu venha cá e me apresentes alguém interessado no negócio, já sabes que estou sempre disponível. Vou fechar uns dias para obras e quero que me auxilies. Não estou mais interessado em meter-me em aventuras.»

«Olha Ribeirinho, não vejo muitas hipóteses sobre o assunto…»

«É o que te parece. Vai correr tudo bem, quem to diz sou eu. Tudo o que tenho a fazer é fechar uns dias e abrir com novas caras para trabalhar nos alternes. Oh, Ratazana, vim até aqui para me experimentar… não me vais dizer que fiz mal, pois não?»

«Não, claro que não Ribeirinho, mas continua a pensar que…»

«Bem, c´os diabos, cada um pensa à sua maneira, tubo bem… Julgo que te devo uns favores...»

«Não, deixa lá isso Ribeirinho, não quero o teu mal… eu só quero que tu vás em frente… eu só…»

«Então põe aí outro igual a este, e não se fala mais nisso, ou preferes que peça isto como deve ser… Garçon! La même chose! Que tal?»

Ribeirinho está a ficar informatizado… já aprendeu a atender o cliente curvando-se à mordomo… a servir um pedido de uma ponta a outra do bar sem dar a impressão de estar a servir labregos… até a sua paciência está mais calma, pelo menos para atender os fornecedores…


- 1 - O autor encaminha a sua obra para o Google,
através do email: bardotraidor@gmail.com

Thursday, August 5, 2010


CONTOS DE RATAZANA
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O Pub do Cacá…





No Pub do Cacá… o empregado fazendo o melhor que é capaz com o seu inglês de bar!

«Nós não temos o Crime, mister. Temos o Jornal de Notícias e o Jogo.»
«Não», diz o mister. «Eu quero o Crime, tem um bom título. Só fala sobre o delito, não é?»
«É sim, mister.»
«Gosto do título; quero esse jornal. Compre-mo logo.»

Vai-se o empregado, com a gorjeta no bolso, e aparece o barman João a cumprimentar-nos. O barman João, é imensamente reconhecido, e está bastante firme de poder controlar a situação.

«Desculpe-me, mister. O empregado disse-me que o Senhor desejava o Crime. Não vai gostar do jornal, mister. Posso sugerir-lhe O Primeiro de Janeiro?»
«Não, quero o Crime. Gosto do nome. Os Portugueses são um povo fantástico, um grande povo aventureiro… Vim cá porque admiro o seu espírito bairrista. Quero arranjar esse jornal sobre o delito.»

O barman, de sobrolho levantado, distancia o olhar em torno da sala, firmamento. Impossível dizer o que está a imaginar sobre o mister, mas sei que as suas opiniões sobre mim e sobre Paulo, são meramente favoráveis.

«Já vão seis pró maneta, mister, mas não é sobre o delito… é sobre homicídios. É para leitores.»
«Bem, eu leio, tu lês… compre-o. Compre-o hoje.»
«Mister!», grita o barman João, preocupado, «não está a entender! É o jornal dos ´crimes`!»

Isto podia durar uma tarde inteira, mas Paulo descobre uma mesa onde está Cacá, o proprietário do pub, e é para lá que nos dirigimos. Cacá não faz cerimónia e convida-nos a sentar-nos. Segundo o que Cacá nos disse, alimenta vários romances, secretos e abrasadores. Através de mim, Paulo tem andado a frequentar o pub, farejando um esquema qualquer e Cacá ignora-o. Paulo sempre em toda a vida desejou entrar num desses romances, esquemas abrasadores de fazer tesão, sobre os quais se ouvem vagos comentários nos pubes da Invicta. Cacá é, realmente, o tipo de homem que Paulo gostaria de ser. Calças feitas por medida, uma bela cabeleira preta, uma carteira repleta de Visa-Visa, e um cordão de ouro ao pescoço para o embelezar, o ar sadio de quem come e bebe bem, e abastece de energias no ginásio do Dragão praticando boxe. Ele e Paulo passaram quinze minutos a confessar-se, abrindo-se um ao outro… eram como dois amigos falando, abertamente, decidir se num futuro próximo, deviam engatar A ou B, para gozar um fim-de-semana em qualquer lugar ou apenas irem para a pensão de Paulo para darem uma rápida… Talvez estivessem a representar um para o outro. De qualquer forma eles são completamente a favor de jogos quando se trata de conjugar planos com saias. Paulo, que ouviu o final da conversa do mister com o barman João, começa a falar das últimas novelas. A Patrulha de Segurança e dois guardas à paisana foram chamados, diz ele a Cacá.

«A velha táctica do Grande Reinaldo(1)… atrair as miúdas com os provincianos e fazer arrotar os labregos pelas miúdas. Oh, os nocturnos são sábios nos seus métodos, como também o são os galegos com a sua conquista muito simples. Regra geral uma tentativa do golpe de baú é suficiente para acalmar os nocturnos. China e Pedro(2) quase levaram as gémeas a entrar no manicómio…
…O saque das seis latas de moedas de vinte foi inteligentemente levado a cabo para que as gémeas não mais se esquecessem de ambos. Mas agora… as pessoas começam a aperceber-se de que China não era o único explorador na Invicta, era somente o mais exibicionista. E os nocturnos, como todos os machistas, têm a paixão do sexo… quando estão michos uma mulher da viela, éguas de luxo quando estão endinheirados.»

Após este resumo muito breve, Cacá, o barman João e Paulo estão na mesma onda quanto à venalidade dos factos nocturnos, e o entusiasmo do barman João começa a revelar-se.

«A questão é esta», diz o barman João, «hoje em dia toda a gente quer explorar toda a gente… é por isso que o delito nunca terá sossego. Porém, os nocturnos são o único grupo que se dedica a estudar a maneira de perder dinheiro na noite. Aqui não há nenhum jornal que não foque um artigo dedicado a assuntos da noite, e existem uma mão cheia de cronistas que dia e noite dão notícias e informações sobre a noite. Mas olhe para os pancadas… são loucos por sexo aberto…
«Até nos bares se fazem babados», interrompe Paulo, cansado de estar calado. Faz valer os seus conhecimentos, e agora percebo por que é anda sempre a falar para os porteiros, e sendo assim, sabe tudo.
«Ouve-se falar nalguns, poucos bares», continua o barman João, «artistas a fazer dois e três por noite, mas quem não sabe disso?» Os otários dos tipos que pagam os alternos, caríssimos, e um número escasso de clientes que visitam duas ou três vezes por semana. Na Invicta, as notícias sobre assuntos nocturnos são correntes no dia-a-dia.»
«Você comete um erro em relação aos bares por exploração», observa Cacá. «Esquece-se de que não são donos nem responsáveis que estão à frente do negócio… se fossem, tinham outras regras, obviamente. Digo-lhes que eles são gananciosos. Quando se houve o explorador de um bar dizer a forma como vai ganhar cinquenta euros em cinco minutos com uma prostituta de dez euros por um broche no reservado, vê-se logo que pertence à raça de Feliciano(3). É minha ideia que as pessoas são exploradas por abutres do negócio.»
«Não compartilho dessa opinião. Se fossem gananciosos não se lhes conseguia sacar sequer um chavo, e nós não estaríamos agora aqui a gastar saliva. Se não fossem especuladores, de que é que viveriam para pagar rendas tão altas? Mas como eu ia dizendo, os exploradores nocturnos, na Invicta, têm qualquer fêmea, boa ou não, passam logo a mensagem a dizer a estreia… em qualquer dos casos a publicidade produzirá uma alteração no aumento do negócio, e ele pode muito bem aproveitar-se no início, e safar-se antes de vir o desgaste. Há uns patos que vão ser chupados, pensam eles, mas eu não, que sou ganancioso e não vou gastar algum… É um sentimento anarquista, como vê…»

O barman João faz um gesto assentimento. Podia-se imaginar que era um ex-esperto nestas coisas… Tem a sala repleta à sua frente e olha à procura do casal chegado da rua…

«O meu último ponto de vista», continua Cacá, «baseia-se na facilidade com que o sistema das casas funciona em relação aos preços. Estabelecem aumentos altos, com um aumento de mais de cem por cento… inventam, sacam, maltratam, fazem tudo o que é preciso para receber e não ter que resolver o problema à solha.»
«E a bófia?», pergunta Paulo.

«A bófia faz aquilo que lhe compete, isso não se discute. O importante é não haver tiros e ninguém se aleijar entre os clientes.»

«Bom, a única coisa de que precisam é de um porteiro. Um bom porteiro, fardado, com classe, espalha a publicidade pelos bares de boa nota e pelos cafés da baixa que tem a frequência dos trabalhadores da zona Centro e tem garantido casa cheia. Só tem de lançar o programa… Os outros porteiros, ao divulgarem as suas informações, dão-lhe publicidade.»

O barman João concentra-se no seu espaço para analisar o trabalho que o espera. O rosto ilumina-se ao mero pensamento da conversa e isso torna-o quase eléctrico. Talvez esperasse que Cacá corresse para ir buscar uma matrona, e Paulo fosse chamar os porteiros, pois mostra-se desapontado quando a conversa termina, sem que daí nada resulte. Eu e Cacá prometemo-nos encontrar mais tarde, e Cacá vai sozinho no carro até ao Brasília Club. Paulo apeia-se uma zona mais em baixo. Então eu tomo a direcção da discoteca de Cacá… Cacá não deve ter chegado lá, mas deve estar alguém para dar à língua, o que é uma boa oportunidade para passar um bocado do tempo. Passo a sala a pente fino, mas está visto que gente não falta para dar cavaco. Cacá não se encontra ainda. A discoteca está meia apinhada de pessoal ávido para dançar e esperar pela meia-noite para ouvir uma de fado. Carlos Alberto, antigo vendedor da Ricard, encontra-se à beira do balcão e chama-me para lhe fazer companhia. Se tivesse um foguete, diz ele, deitava-o agora mesmo ao ar… O rosto de Carlos Alberto ilumina-se assim que me aproximo. Não esperava encontrar-me por aquelas paragens. Fica a palrar, como um papagaio quando exibe o falatório e não se pode dizer que o seu repertório seja curto. Eu imediatamente começo a escutar a ele.

«Ouve lá, tu estás fixe!», exclamo assim que ele faz uma paragem. «Nunca me disseste o que fazes para te conservares assim. Diz-me cá, só para os dois, há alguma hipótese de me dares essa receita?»

Já não tenho pedal em permanecer num ambiente destes, mas quero ficar a par das últimas novidades antes de deixar Carlos Alberto sozinho com ele próprio. Depois de algum tempo passado a contar as nossas asneiras, consigo ficar uns momentos a observar a sala. O espectáculo está no início com a música pimba a aquecer os corações destroçados… e não quero perder uma pitada do mesmo.

«Gostaria de durante uns tempos voltar a ser rapaz», diz, empurrando-me com um chega para lá, retirando-me do espaço onde estava pousado. «E não iria tão vazio para a outra vida… é melhor bebermos mais uma bebida.»
«A outra vida não se importa que vás vazio quando partires se, também levares um garrafão no caixão contigo», respondo-lhe eu. «Ela tem-te na lista.»

Carlos Alberto deixa-se emborcar na bebida e fazemos prognósticos enquanto ele saboreia, é chegado o momento do fado… A fadista do Brasília Club é tão graciosa como o fado que interpreta! Ah sim, ela parece que leu o meu pensamento. A fadista dá um ar da sua graça, e o público sente-se atraído pela sua voz. E para terminar… até canta um fado para a dor de corno… Lá vou eu para uma mesa para falar com Cacá que já regressou. Estive a falar com a Tesouro do Bairro, uma cliente da música salsa, digo-lhe eu. Estive a sondá-la para lhe dares uma foda, e acho que ela só se aninha por dinheiro… gosta tanto de money, como tu gostas dele no banco. Portanto… tudo o que ela quer é uma foda por cabrito e receber na hora. A minha opinião, como tenho certo conhecimento, é que não a fodas por dinheiro… Cacá acha que a minha opinião é muito relativa. Tudo isso é tão ocasional, diz ele… nem imaginas as gajas incríveis que eu tenho atrás de mim. Um dia destes apanho-a à medida para a levar a ter uma aventura, não acreditas? E há mais como esta. Claro que o diz com toda a naturalidade. Cacá deseja foder bem a Tesouro do Bairro, e tem uma lista de perguntas do tamanho de uma perna. Onde é que ela gosta de levar? Onde é que a vou encabar? Qual é a melhor altura para fazer isto ou aquilo? E durante os primeiros quinze minutos que trocamos de conversa, fica sentado a beber Licor Beirão e armazenar tudo na sua box cerebral. Ainda há muito dela que tem de ser explorado antes de a levar para a cama, exclama, e quer conhecê-la sobre todos os ângulos. Informo-o do local onde pode ver uma seta seguida de uma tatuagem que vai da cintura dela até baixo… Se bem que não saiba muito bem onde é que, mora o fim da tatuagem. Depois quer saber se é realmente o tal canal como pensa… ou é, apenas… rasteira? Não era a primeira, é claro… Depois disto apetece-me contar-lhe esta. ´Uma margarida qualquer, depois de umas apalpadelas convence o parceiro que está próxima a menstruação e põe-se disposta a tudo… pelo menos é o que ela disse. Uma vez enfiada na cama, foram favas contadas. Abriu-se como uma lapa e deixou que a manobrasse sem a menor dificuldade. E a cabra realmente deixou-se penetrar pelo espírito das loucuras… estava tão em brasa que não conseguia falar direito… e o prazer parecia uma alucinação.` Suspira, olha de relance para mim e desaperta o colarinho. Bebe uns goles de licor.

Talvez ela preferisse que eu lhe fizesse um telefonema para a levar a passear? pergunta-me. Pensou nisso quando estava a ouvir-me, mas acha tão banal usar esse pedido e, além disso, não se sente excitadíssimo… Contudo, se ela achar que eu não uso a nota para a comprar, vai ter que decidir daqui para a frente. Estou curioso como ela é… aquele seu pequeno cu arrebitado chega para me dar tesão, com tatuagem ou sem tatuagem. Como a como só com os olhos, o cu parece ficar mais arrebitado... Cacá puxa a camisa para baixo e entretém-se com as suas mensagens. Oh, aquela gaja! Passa o tempo a convidar-me para tomar café e levar uma queca! Quando é que alguma vez vou ter tempo! exclama ele. E eu sei o que é que aquilo o leva a querer fazer? Fá-lo querer perder a cabeça… sim, perder tudo... Mas depois de me revelar isto, faz-se atrevido. Por fim tenho de o elogiar e contar-lhe uma anedota dos nocturnos. Uhuh, graceja ele… mas é uma anedota ordinária, acrescenta logo a seguir... Estou certo de que a tatuagem de Tesouro do Bairro fazendo sessenta e nove com os clientes ficaram gravados na mente de Cacá, mas ele fecha-se em copas, ou mesmo de pensar em lhe comer o pacote. Raio, suponho que a podia conquistar por dá cá aquela palha… Qualquer prostituta, desde que esteja a ser paga, não é difícil convencê-la a umas brincadeiras extras. Umas cócegas no grelo e está pronta a tudo… mas ele quer que a iniciativa parta dela… ou pelo menos que ela assim o assuma. Conto-lhe aquela da vendedora ambulante que, depois de experimentar levar no cu, andou meio século até descobrir uma pissa que a satisfizesse… Riu-se assim que acabo de contar. Estas prostitutas! O que elas gostam de apanhar alguns patacos em troca de uns serviços! Do que a Tesouro do Bairro mais gostaria, agora, exclama ele, era que eu lhe metesse uma nota graúda na mão e a fodesse até ficar paralisada, mas não se quer familiarizar com a minha atitude mais do que o fez até à data… Mas eu posso ser tão teimoso quanto ela… Lanço-lhe as minhas pestanas, mordo-a à distância, com a língua aguço-lhe o desejo. Quando me aproximo muito dela murmura baixinho… eh… é hoje… por que é que não a levo agora… Oh, devemos ser iguais àquelas mulas matreiras das feiras, não devemos? Sim, estamos a fazer quase o mesmo papel que elas… Abana a cabeça quando lhe digo que lhe lance um repto. Da primeira vez esteve quase… depois passou. O que é que queres que eu faça? pergunta. Como se o desconhecesse, como se não tivesse um pequeno gesto de lhe oferecer um ramo de cravos, um saco de bombons, algo do que ela não estava à espera! Quero que ela mo chupe e também me foda. É isso? Fá-lo-á, se eu lhe pagar. Mas eu não pago.

Um tipo aguenta certas merdas até um ponto. Imagine-se uma mulher com uma vontade do tamanho do elevador dos Guindais, uma prostituta com os anos da putaria que a Tesouro do Bairro já tem, e a tentar convencer-me que não entende que quero que me dê uma goela! Decido dar-lhe só mais uma chance… depois, se não toma a iniciativa ao mesmo tempo que me conhece, ponho o seu nome na minha lista de espera e o caso arruma. Durante uns brevíssimos dias tudo se modifica. A Tesouro do Bairro aparece no meu bar… dá a impressão de se sentir realmente só e pede-me para lhe chamar um táxi. Digo-lhe para aguardar e Cacá subitamente aí vem, e ela está ainda a saborear o café da noite. Torno a pô-los lado a lado e ela também entra na conversa… pede-lhe uma boleia para casa. Assim que se encontram a sós a Tesouro do Bairro diz que não vai voltar com a palavra atrás. Não, desta vez perdeu a oportunidade… perdeu mesmo. Não faço ideia o que ela pensa de mim e por que me quer extorquir a nota? Tem de pensar que sou um amigo! Oh, uma prostituta tem que ter ética! O tempo para estas aventuras já pertence ao passado... Uma rapariga na sua idade e nas suas condições, tem de ter bom senso para tolerar certas coisas… etc., etc.… Quer engordar a boleia, mas eu tenho um encontro. Persuado-a a beber uma taça de champanhe, depois mais tarde. Torno a olhar para a seta. Aquela em que a Tesouro do Bairro exibe junto ao rabo atraindo os clientes enquanto lhe fazem namoro, parece exercer uma atracção sexual… Certamente que ela nunca teria feito aquilo se não tivesse um sentido intencional… Asseguro-lhe que nos veremos… e logo se ela viesse até ao pub numa de beneficência… ou prefere o cachet? Pensa que o cachet é mais agradável, mas realmente, não devia… e deixa-se ir de sorriso ardente e gravita no breu da noite como um tesouro apetitoso...
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- 1 - Antigo boss da noite
- 2 - China e Pedro: capangas do Porto, cujos saques provocaram a desgraça das suas vítimas...
- 3 - Personagem nocturna dos anos 80.



Monday, July 12, 2010


CONTOS DE RATAZANA
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O ATIRA-CÚS...

Afinal sempre é verdade. O Paulo está no topo do mundo por comer um cu rapado. Tudo o que ele quer, como prova da sua excitação total, é um buraco sem pêlos ao ar, quando passa um serão maravilhoso. E não é só um cuzito rapado… um programita bem afinado, ou algo onde não haja que roçar…

«Foi a Pernambucana quem mo deu», confessou-me ele, «e a Baby-Sitter ajudou à festa. Não é de gritos?»

Arquei-a as pernas o suficiente, deixa-se encurvar e ergue as mãos de forma a eu poder ver o seu estilo à cão… Tem o sorriso no rosto… um pouco rufia, porque na sua face ainda se pode ver uma leve malandrice quando a luz incide na sua pessoa.

«Eu tinha uma vontade tão grande enquanto ela se maneava.» Paulo ri-se. «Parecia um touro com olhar de matador. A Baby-Sitter disse que havia de ser bom se eu me pudesse aguentar meia hora antes de me vir desta forma.»

Imagino a cena… A Baby-Sitter segurando a cabeça da cadela entre as pernas, usando-a na lambidela familiar. Paulo mantendo afastada as bochechas do cu da Pernambucana, enquanto lhe passa o pau barbado pelo rego… Sim, deve ter sido uma cena fantástica.

Paulo não se consegue manter quieto diante de mim. Mexe o corpo de um lado para o outro, estica-se quando vê uma mulher a passar. Está outra vez com comichão no pincel… prometer-lhe o queijo foi bem o grande remédio para lhe atiçar os calores. Podíamos jogar um palpite, diz-me com ar travesso, só para ver se o meu faro consegue reconhecer uma paneleira...

Como reconhecê-la… O que eu penso, aquela coisa funciona com a cabeça de baixo, um olhar e fica duro como pedra. É como se já tivesse uma pedra dentro da calça… Mas Paulo sabe como encontrá-la…

Paulo está livre de horário. Agora não tem qualquer impedimento para comer um queijo daqueles, diz ele… talvez venha assediar uma das minhas prostitutas… e lá vai ele direitinho ao meu grupo, para falar com uma à boa. A mula pede muita massa, pede o que quer, e acrescenta, um cuzito careca como aquele não tem preço… está na grelha das virgens…

Paulãozinho, acha ele, havia de ter um formigueiro muito forte com o cheiro. Enfia a mão no bolso, aperta o pénis num anel esganado, e olha para baixo… Sim, não há dúvida que tem de conservar a cabeça para baixo, para manter a calma diz. Faz-lhe cócegas sob a tola… Se não tivesse comido aquele queijo com um cheirinho azedo de ovelha, acha ele, provavelmente não levantaria a cabeça, tão rapidamente, e nunca saboaria… Perderia o seu faro. A Pernambucana e a Baby-Sitter, continua ele, não deixaria que ele as abandonasse…

Paulo diz que adora a Pernambucana, acha que ela é boa sempre depois do jantar. Algumas vezes a Pernambucana parece uma fada, quando se arma em gata naquele estilo mamã que ela tem. A Pernambucana diz-lhe para fazer uma posição e, se não obedecer de imediato, ela obriga-o a fazê-la. A Pernambucana tem muito nervo, especialmente nas noites de garrafas vazias... uma vez postas as suas garrafas em cima da mesa, não podemos negar… e enche uma quantidade de copos para nos esborracharmos. Oh, a Pernambucana mantém-me de pila feita quando brincamos aos cavalinhos!

É claro que também gosta de Baby-Sitter, diz ele, mas de uma forma completamente diferente. Com a Baby-Sitter, sabe-se que é tudo confusão de línguas… Ela na verdade pensa, diz Paulo, que toda a rapariga deve viver uns tempos com uma cadela, mesmo que pretenda largar a prostituição e não ter chulo e ser uma rapariga de poupanças dali para a frente. Paulo, diz que eu tinha razão… as cadelas substituirão os homens…

Paulo senta-se, com as mãos atrás sobre a cabeça, observando-me enquanto me despacho de um cliente. Quer que eu oriente uma mula baratinha. Pede-me ele. Respondo que vou ver. E fica de pernas abertas, os olhos a ver o que se passa. Estou em linha com uma e a alternativa na outra…

Paulo experimenta uma certa negra oriunda de uma África longínqua. Diz chamar-se Sílvia. Quando Paulo a levou, diz-me ele, tudo o que ela fez foi despir-se e ficar esticada como uma tábua de engomar… Agora salta para aqui! Disse-lhe ela, e ele sentiu-se fodido. Abriu-lhe mais as pernas, e deu uma vista de olhos para satisfazer a sua curiosidade. Bem, não se admira se ela tenha posto algodão no pito para encobrir uma possível tia-maria… Ficou em cima dela antes de poder ganhar tesão, a verga na mão e as ideias noutra…

Estar a foder Sílvia com esta atitude é como estar a foder uma velha de asilo, se exceptuarmos o facto de que uma velha de asilo nunca teria uma pintelheira tão farfalhuda. O seu ventre, conta ele, mal se esfregou contra o dela, a única reacção que soou foi o seu SOS de fome, nada mais. Entre as suas mãos não se encontrou um afecto, um carinho, ou um calor de forno de alta tensão, nada além da sua imobilidade. Tem um aspecto mais frio do que uma perua morta… Mas esteve a aviá-lo a conta gotas, como sempre o fez… como uma mulher desfasada, ou ainda mais, aguentou-o até ao fim.

Sei que se tratou unicamente de um cabrito mas isso não torna menos real o facto da sua pele lhe saber a catinga. Enquanto foi só catinga ele não se ralou, deixando-a continuar a espalhar-lhe o contacto com o corpo enquanto a fodeu. É um odor intenso, penetrante, nada que se pareça com o cheiro a suor que costuma deitar…

Não volto a sair mais com Sílvia, desabafa ele… aquele coiro é demasiado pastelão. Tinha o olho do cu na mira, fiquei incontrolável, mal meti o pénis no buraco, gritou como uma fera, e não me deu hipótese e depois aplicou-me uma massagem… uma punheta, para ser mais claro… que completava o serviço…

Paulo não deixa esquecer aqueles momentos que foram foleiros… há muito tempo que não enfiava um urso daqueles, e está muito furioso consigo. Tenho-o de o acalmar, mostrando-lhe que nem sempre se acerta na pomba certa, senão vai falar mal delas. É o único motivo por que Paulo pára às vezes de engatar putas… para que preste mais atenção às não-putas… Claro que não pára por muito tempo… duas noites é tudo o que consegue. Depois, vai querer novamente um cu a bater-lhe ao pau e partirá para outra aventura. Suspeito que pensou que Sílvia só lhe desse o mataco (cu) se lhe oferecesse dormida grátis na sua maison, e tenho a certeza que ela não foi na fita…, ou era muito mais ingénua do que ele para embarcar nessa droga de cantiga…

Paulo estica os braços acima da cabeça e arqueia as pernas, e o sorriso quase lhe desaparece... Quer que eu abafe o caso dele… mas só por uns dias… enquanto ela não tocar no trombone…

«Olha para mim…ela fez-me uma punheta, como se eu fosse um estudante, nem mais… fiz uma figura tão parva que nem me quero lembrar», diz Paulo. «Não tens por aí uma marreta para me dares com ela na cabeça? Deixava-te dar à-vontade… e andava eu todos as noites à procura de ter um cu sem pêlos… e agora que o tenho… procuro outros. Não é uma estupidez?» Volta-se e olha para um rabo a passar pela sala. «Mas não queria um cu tão gordo como daquela prostituta. Comia-me meia gaita…»

Os dois rimo-nos com a expressão que ele deu à conversa… mas eu estou mais interessado naquela narrativa para o meu pasquim. Debruço-me por baixo do tampo do balcão e anoto os apontamentos precisos e ele retoma a conversa quando sente o riso a ir-se… e conta-me o que a Pernambucana lhe costuma dizer na cama… Fura-o! Fura com a tua chouriça o meu buraco careca e amanteigado, e come-me… é todo teu, podes gabar-te que foste o primeiro a ir aí tirar-me os três… Enfia a boca no copo e absorve um pouco de água fresca.

A Pernambucana pode dizer o que muito bem lhe apetecer… Mas Paulo não tem de comer o grupo… ela é pouco mais do que uma rapariga, seja lá da forma que a vejamos, e da parte de trás, só com o manear da sua bunda, parece mais virgem que uma donzela. Ainda um dia lhe vou dar uma completa, diz Paulo, de modo que nunca mais se esqueça de mim.

«Sei como é», diz-me ele. «Gordos, magros, peludos, pequenos… se alguma vez encontrares algum que não saibas como deves tratar, trá-lo que eu ensino-te como deves fazer.»

Depois… pára-se a conversa, ele dá um salto ao quarto de banho e volta. Anda como se fosse um galo, com o olhar sempre cravado nelas… Estou pronto a meter-lhe o meu veneno, mal se senta no banco, entro de chofre...

«Esta se chega aos ouvidos da Pernambucana e da Baby-Sitter elas ficam tão revoltadas que lá se vai a borla quando as quiseres roer», digo-lhe eu. «Se queres que ela te dê uma goelinha tens de prometer que não as trocas assim.»

Ainda está de peito feito, e dá toques no copo para ouvir o seu tilintar. Está sentado de frente a observar, de modo que vê as saídas e as entradas daqueles que se raspam para dar uma rápida... Vigilância a quanto obrigas…

Paulo quer saber se entre mim a Pernambucana e a Baby-Sitter houve algum caso. Fodia-as, não fodi? Não lhe respondo. Mantenho-me em reserva… Paulo não precisa de qualquer informação para arranjar um caso. Muito bem, diz ele… mas eu escuso de pensar que é segredo. A Pernambucana e Baby-Sitter têm os ouvidos bem apurados; em breve saberão tudo.

«Elas sabem que andaste por aí a foder com a amiga dela sem protector de mangueira?», pergunto.

Paulo fica admirado por eu saber de tudo. Como é que sabes? Foi a amiga? Paulo aperta o copo na mão como se mo fosse partir…

«A amiga contou a elas?», interroga. «Elas sabem o que nós fizemos?»

Não me intrometo nisso e Paulo fica pensativo. Como é que pode saber como deve actuar se não sabe estas coisas?

«Ela deu-me uma dica, como se eu fosse um gigolô, nem mais nem menos», diz Paulo. «Mas ainda queria que eu fizesse de motorista porque não tinha homem para a acompanhar.»

A seguir segue os passos de uma garina que acaba de chegar. Está a mordê-la de ginjeira, assim que eu possa, vai desejar que lha apresente. Se ela não fosse uma dessas raparigas dos bordéis, podia-lhe muito bem contar um filme bonito e ela não lhe exigiria dinheiro, suspira ele. Vou ter que ter algum trabalho para explicar à garina o desejo dele em querer comê-la por amor! Suponho que o que devia fazer era tirar essa ideia e pagar à garina… mas o dinheiro tem muito significado para ele, e ele ficou com os calores um pouco alterados. Para o diabo com tudo isto. Digo a Paulo para meter o dinheiro na mão e tocar uma segóvia. Com certeza, diz ele, desde que eu fique aliviado e me venha, tudo bem.

Mas eu ainda pretendo saber se a Baby-Sitter não se enciúma pelo que se passa entre Paulo e a amiga Pernambucana. Paulo leva algum tempo a responder ao tema, o qual se resume a que ele ainda não se quis fazer ao piso. Está a reservá-la, sorri, a reservá-la para descobrir exactamente quais são as intenções de Baby-Sitter em relação a sua pessoa. Se ela gosta de o ver foder, deve ter forçosamente algum desejo por Paulo, acho eu? Quem sabe… talvez se estejam evitando, a fugir um do outro…

Este Paulo! Estou mesmo a ver que não pára de andar para aí a armar confusão. Tenho admiração pelas brasucas… se estas putazitas corrompidas se lhes crescem a barriga, não sei o que lhes vai acontecer. Levarão com elas para o Brasil algo mais do que a colecção de cabritos do Porto…

Paulo está por debaixo do olho a galar a garina. Por vontade dele, fazia-a lá na pensão enquanto o diabo esfrega um olho, mas abstém-se a olhar para o espelho. Fica ali a matutar prós botões com o cu a balancear e as pernas curtas afastadas. Tem os pés apoiados no aro de alumínio em volta do banco, e a careca branca como a casca de um queijo. De vez em quando espalmei-a a careca com a palma da mão. Não diz nada… mantém-se assim… e deixa-se ouvir as minhas fofoquices e diverte-se a rir…

«A Baby-Sitter vai ficar louca quando eu lhe baixar as calcinhas», diz ele…

«Mas, toma cuidado, como é que tu a podes enlouquecer?»

Paulo não responde… talvez ele próprio não queira responder. Dá um esticão para se aproximar mais da borda do balcão, afim dele poder chegar mais perto da água, e coça os seus tomates, agitando-a de cima para baixo…

«Vou vê-la logo à tarde… Sou capaz de a apanhar sem a amiga e levo-lhe a cadela ao jardim… deixo-a a fazer lá umas caganitas e volto para o seu apartamento e obrigo-a a chupar-me. Sim, é o que vou fazer… Obrigo-a a chupar-me o paulãozinho e como-lhe aquela peida e no fim digo-lhe para não contar nada à amiga senão, não lhe vou buscar a cadela. Oh, meu grande Paulãozinho… cresce, cresce muito… e faz duplicar uma quantidade de esperma dentro de mim, porque eu vou fazer uma boa brasuca comê-la toda, daqui a uma hora, mais coisa menos coisa…»

Sunday, June 20, 2010



CONTOS DE RATAZANA
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`Time is money`


Ontem de manhã, por volta das duas, estava à esquina de Antero de Quental para o meu encontro. Dez minutos… vinte minutos… Três horas e aquele boi sem aparecer. Raios, as pessoas que faltam aos encontros deviam pagar por isso. É como se nos fossem à carteira… é pior que roubar a carteira. Fazem-nos desperdiçar o tempo… meia hora aqui, dez minutos ali… passado algum tempo, devem ser anos. Portanto roubaram-me uma hora, e onde é que vou arranjar outra para substituir esta? Minha sorte, não vou viver eternamente, não me sobram tantas horas que eu possa dar ao luxo de distribuir desta maneira. Mas os homens nunca pensam saber destas coisas. Não acredito que os homens alguma vez pensem que um dia a sua vida terá fim. De certeza que não o pensam da mesma maneira que as mulheres. Pode-se ter a certeza absolutíssima… quando uma mulher não é pontual, trata-se geralmente de uma irresponsável, de uma preguiçosa e de, pelo menos, mais de umas dezenas de nomes sortidos, além das referidas.

Às três certas ponho-me ao fresco. Tenho mais para ponde ir do que ficar à esquina toda a tarde de sentinela a servir de montra. O gajo pode arranjar uma boa desculpa, mas vai ter que pagar pelo que me fez… Pese, embora… no Porto nunca se perde o atrelado. Se um gajo falha, aparece logo outro… em todos os bares o barman tem as agendas cheias de contactos e nem todos são de deixar fugir, como acontece nos anúncios. (Que espécie de gajo aparecerá num desses anúncios? Ainda hei-de saber… Cerca de uma hora mais tarde, depois de já ter ingerido alguns líquidos ao balcão, deixo-me levar por um. Não é um cabrito assumido, na verdade, está apenas com vontade de me saltar. Não é propriamente um Mourinho, mas não é de perder; é quarentão e tem o ar de quem utiliza preservativo sempre que lá vai. Dou-lhe bola corrida, e depois vamos para outro lugar e tento funcionar o meu esquema com ele… mas ainda estou banzada pelo caso do outro tipo… Pelas suas palavras, dá a impressão que o tipo de Pescoço-Engomado (sofreu fractura da coluna), uma ou outra vez, já teve algum contacto com as mulheres do bas-fond… e se teve pôde pagar a uma não há razão para que o Pescoço-Engomado não pague a mim. Para cliente, o Pescoço-Engomado é uma pessoa de elevado grau espiritual. A maioria desses bois atirava-se ao ar se lhe fizessem uma corte decente… mas o Pescoço-Engomado ouve atentamente e parece levar tudo sob uma certa reflexão. Por fim passa uma das mãos sobre a minha… acampa, é o único termo que posso empregar… e fita a minha boca durante uns bons segundos.

«Sabes… parece-me que te vou levar», diz. «Se tu não te importares de ir, Rita, é claro…»

Se eu não me importar! Meu Deus, eu também sou uma pessoa sensível… não me recordo de uma única vez ter recusado o meu carinho a alguém que o quisesse paparicar. Arrumo o cu para trás do sofá e aguardo o desenrolar da conversa. O Pescoço-Engomado não quer entrar em detalhes. Ele compreende toda esta fita, em teoria, diz ele, e não necessita de empurrão… Encosta-se à minha frente e mete a cabeça entre as suas mãos, e depois de ter encarado o meu olhar durante uma fracção de segundo, atira um sorriso para mim. Está com um olhar perfeitamente apaixonado, embevecido… se eu não tivesse a percepção do que ele é, era capaz de jurar que estava doido pelo meu par de mamas e por se enfiar pelo soutien dentro… Começa a namorar-me… não que eu precise de namoro, mas porque faz parte da sua teoria, penso eu. Este tipo pode ser extraordinariamente comedido… começa a contar-me histórias bonitas como se não houvesse nada no mundo de que mais gostasse. Põe o braço por cima dos meus ombros e mexe-me nos cabelos… e quando não está a contar-me nada, baila com as sobrancelhas ou pisca-me os olhos. Vêem-se destes tipos nos bares «matando» todas as gajas que lá estão e pagam bebidas àquelas que pretendem engatar… e muitas vezes perguntei a mim própria o que lhes aconteceria se não lhes dessem algum dinheiro.

Mas não se consegue chegar perto de todos. Alguns, além do mais, têm um aspecto requintado, mas estão tão dispostos a deixar que uma gaja lhes levante o pau como eu estou disposta a pedir ao cliente que vai ao meu salão cortar o cabelo que tire a língua para fora para me fazer uma trombada... Sei o que estou a dizer… já me passou pela cabeça fazer isso… Até o Pescoço-Engomado, se a sua teoria valer alguma coisa, deve saber o que vai acontecer se continuar a paparicar-me desta maneira. Eu estou quase a tomar outra bebida, à espera que ele tome a dianteira… não quero sair a abanar… Firmo-me até os ímpetos se transformarem quase em molas, de tão calcados: quero manter-me toda serena, se for capaz… O Pescoço-Engomado sabia do que estava a falar quando disse que não necessitava de empurrão. Estou pronta a ir com o tipo e a deixá-lo gozar se ele não se armar em esperto quando ficar comigo à mercê, mas é pura perda de tempo. Dá a impressão de adorar a minha pessoa. Olha para mim quando me começo a rir, e dá-me uma trabalheira dos diabos para o convencer de que não estou a rir-me dele… Chega ao ponto de se rir também quando lhe digo que hoje à tarde estive na prancha por um tipo. Fica sensível quando lhe conto a minha versão.

«Mas ele foi indecente, Rita… isso não se faz, dar-te uma hora de espera! Devias tê-lo apanhado! Pensei que me estavas a gozar, Rita? Sabes quem foi o beneficiado, Rita? Foi aqui… o artista!»

Quer saber quem é o tipo daquele encontro. Não disse quem era. Depois quer saber em que esquina é que estive à espera. Sim, era uma onde não sabia muito bem onde era, etc… durante uma hora. O Pescoço-Engomado dá por terminado as perguntas ao assunto, e para mim, é tempo de passar à acção.

«Bom, e quando é que vamos?», pergunto a Pescoço-Engomado. «Que tal agora?»

O Pescoço-Engomado excita-se. Para o diabo mais o trabalho que eu devia fazer, diz ele… e agora já não me largo de ti! Como é que tu te ias ver sem mim? Vai-se levantar para ir à casa de banho. Aproveito, tenho um telefonema para fazer, e assim posso ficar com o tempo mais disponível. Ele aí vem mais composto do que quando saiu da mesa. E pede ao empregado para lhe levar a conta e corta o som ao telefone. Só atendo se for necessário, diz-me o Pescoço-Engomado. Acabamos de sair e fechar a porta, e desaparecemos algures no Porto, a caminho de uma residencial, o local mais provável.


Thursday, June 10, 2010




CONTOS DE RATAZANA
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PITA
PETA E
PUTA…



(a)

A Malcasada, anda deprimida. O cota que lhe anda a dar umas quecas não se pode aguentar, diz-me ela, e não sabe o que há-de fazer. Enche-a de guitas, e tudo o mais, mas mesmo assim é uma praga aguentá-lo.

Estamos os dois a conversar e ela faz-me o relato. Primeiro, ele quer estar mais vezes com ela. O tipo acha que ainda está aí para as curvas e, assim que a Malcasada apanha uma escapadela atira-se logo a levá-la para a cama. O que não teria nada de mais, penso eu, excepto, o facto que todas as vezes que a coma, é claro, ela crava-lhe umas massas, o que não o chateia. Pensa que a Malcasada necessita e que o toma por salvador…mas fica furioso ao descobrir que não a come de borla…

E ainda há mais umas coisinhas…

Ele espera que o seu dinheiro lhe proporcione uma nova versão d´Don Juan. A Malcasada tem de lhe contar histórias das suas escapadelas sexuais e está a ficar farta tentando inventar mais histórias.

Naquele dia, por exemplo, quando o rapaz a largou do carro…ficou absolutamente nervoso… A Malcasada diz que ele quase batia com o carro na esquina, porque era evidente o que tinha acontecido.

Fodeu-a, sem dúvida… deve ter julgado que aquela que lhe estava a dar que era a melhor… e depois, quis saber por onde é que ela tinha andado… Reteve-a em reforço durante horas, tentando satisfazê-la a fazer assim, a fazer assado, e Malcasada já tão cheia de gozo e de sexo que a única coisa que queria era ir para casa…

É quando ela pura e simplesmente escoara e deixara de lhe dar luta, o tipo havia ficado danado… se se tinha conseguido ficar excitada quando todas aquelas coisas se tinham passado, por que é que não ficava excitada mais um tempito para o deixar dar mais uma troçada?

E quando a convida para as suas visitas na zona boémia, a Malcasada tem de representar o seu papel. Ele gosta de a mostrar, deixar que as pessoas vejam o pito vistoso que ele conquistou, e tudo isso e mais alguma coisa, mas a Malcasada tem de deixar entender a toda a gente que é uma espécie de petardo sexual…petardo esse que é todo dele. Assim, torna-se obrigatório o vistaço pelas salas para que lhe admirem a figura, e portar-se como uma cadela no luxo, roçando-se nele e deixando-o beliscar as tetas e passando-lhe ela, às vezes, a mão pelos guizos.

Depois, decorrido um certo tempo nestes jogos, ela convida-o para uma janta em casa duma amiga, ele compromete-se e sai logo a comprar-lhe uma prenda… algumas vezes até conseguem zangar-se na brincadeira… mas geralmente é tudo uma questão dela pôr a amizade à prova por ciúme e aferroá-lo. Depois… lá reatam ambos e então salta-lhe em cima, e ele talvez ainda saia a arrotar a leite e a Malcasada tem o aspecto de alguém que tivesse visto o lobisomem…

Parece incrível, mas a Malcasada diz que eu não pensaria assim se conhecesse o machão.

Enquanto toma o café, leio-lhe de relance o pasquim do bar as notícias que Faria levou com uma chouriça vinda do outro lado da sala.

Quando escuta, a Malcasada por pouco que não atira o café para cima de mim… tinha obrigação de saber que aquele seu amigo «salvador» é exactamente o tipo de cenas que ele gosta para se divertir…

Em seguida, a Malcasada quer que não fale a ninguém que esteve lá, e sai tão veloz como entrou e por pouco não cruzou com Toni…


(b)



Toni, o primo de Faria, regressa de Paris em visita de férias. Como tem uma coisa para me dizer, inicia com um licor. Toni sente-se um tanto à vontade comigo em falar de putas, sem a presença de alguém na sala, por isso vem até ao balcão conversar…

Faria, de novo em alta, arranjou os esquemas de modo a ele escolher as gajas que eu lhe arranjei. Dei um lamiré a respeito dele, combinou tudo, e ela mostrou-se muito preparada. Não faço a menor ideia do quanto ele lhe poderá ter pago, mas o que quer que tenha sido, deve ter sido à francesa… ela nunca o deixou de procurar, face ao larjan de Toni, está disposta a conceder-lhe uma completa. Toni aspira um dia vir poder voltar a Portugal e vender peles…

Não seria boa ideia levá-la uns dias a passear, diz Toni. É demasiado risco e, além disso, ela pode não querer que eu saiba que mora com chulo. Convém-me… Eu também não gostaria que ela soubesse que eu sei que mora com chulo… pelo menos até me pôr a francos e dizer au revoir.

Portanto selamos um local habitual… esquina da Rua Antero de Quental com a Rua António Cândido, a partir das duas da tarde.

«Mas se ela não fazer aquilo que lhe pedi» diz-me Toni, «dou meia volta aos sapatos e piro-me. O combinado não é que eu tenha de me vir… O combinado é que ela tem de se vir, se ela se excitar comigo…»

«Vai-lhe fazer aquilo…ela é muito boa a partir da terceira, Toni. Espere até ela fumegar… Vai ser de trepar pelas paredes, vai ver se não é uma foda do século XXI… Até o seu primo a acha uma gaja trepadeira, e anda morto por a fazer à moda serrador…»

«Ele ainda não a comeu? Talvez pense que ela é um barrete, ou coisa do género… que merdas é que você lhe contou para ela estar sempre a ligar para mim?»

«Ah, eu disse-lhe, Toni… falei aquilo que se deve falar. Ela vai tratá-lo como se você fosse um estrangeiro, nada mais… contei-lhe uma data de porras a seu respeito. Limite-se a deixá-la bem fodida e bem endinheirada, é tudo o que ela quer de si. De qualquer das formas, talvez eu tenha uma alternativa na manga para você, entendeu, Toni? Talvez haja hoje uma alternativa para si e para o seu primo caso chegue por aí… um pitinho saído do aviário, talvez… talvez ainda traga alguma amiga sem muita pedalada…»

«Não quero saber o que ela faz no aviário… o que é que ela vai fazer comigo? Não me meta em mais uma trapalhada…»

«Eu não o meto em trapalhada nenhuma, Toni. É uma boa franga. Eu sei. Ela vai à missa…»

«Faz minete?

«Claro que faz minete. Estou a dizer-lhe que é uma boa franga. Frequenta a catequese.»



(c)



Faria aparece e Toni leva-o para uma mesa, enquanto eu me preparo para os servir… e eis quando entram na sala duas gajas. Gajas novas, claro… devem andar à volta dos vinte.

Logo as recebo e é tudo muito cordial. Aliás com umas estampas destas não seria de esperar outra coisa. Faria consegue disfarçar algum encantamento, mas não se faz atrevido. Elas erguem-se, levantam a pestana à altura e sorriem até o brilho do olhos desaparecer.

Oh, realmente são boas, diz ele, pensar que havia dois pitinhos destes abafados aqui no Porto… e só Deus sabe por onde andaram…

São apresentados às gajas, que afinal são tripeiras, de Coimbrões… uma chama-se Pita e outra tem uma aparência completamente fufa-macho… Peta.

Pita é uma moreninha que deve comprar as roupa dois números acima do seu tamanho… consegue povoar-se mesmo à larga dentro delas. Peta é também uma boa febra, mas veste-se de um fato masculino e de gravata.

Mais tarde Faria diz-me que Peta precisa de algum dinheiro, o que não acontece com Pita; assim Peta é quem faz os acordos e Pita quem abre as pernas nas devidas alturas.

Pita é tão quente como parece. Visto que os primos estão concentrados nelas, também me concentro, entusiasmado ou não, e Peta olha-me para os meus olhos como se estes fossem um veio transmissor de onde esperasse ver um número indicador.

Gostava de saber, diz ela, se aquele número que julga ter ouvido era real, ou se era tudo conversa fiada. Toni diz-lhe que é tudo de quanto há mais real na vida, e pergunta-lhe se quer ouvir novamente. Peta diz que prefere aguardar um bocado… Sorri e pede-me outro café.

Para começar não percebo muito bem por que é que vieram até aqui…

A minha filial disse-me que me ia apresentar duas das suas amigas, mas tenho a impressão de que vieram para deitar o olho ao melhor das suas intenções…

Peta mostra aos primos umas fotos artísticas suas… parece que as fressureiras, por qualquer razão, tem um talento nato para seduzirem gente para sacar.

Faria olha para uma das fotos… qualquer homem que alguma vez tenha visto um grelo destes vê logo que se afunda, diz ele. Peta pede uma explicação, mas Faria só lhe dá ao ouvido.

Passou-se cerca de uma hora antes de Pita ter a grande vontade de dizer que tinha necessidade de ir fazer chichi.

Toni tem estado a fazer-lhe festas, excepto comê-la ali mesmo, e de todas as vezes que Toni se encosta a ela e lhe dá um aperto nas tetas, elas voltam-se uma para a outra e fazem olhinhos… Por que é não nos pomos daqui a andar e vamos para a pensão, sugere Faria, ou vamos passar a tarde a apalparmos?

«Sempre que recebemos um convite só vamos se formos as duas», diz Peta. «Não fazemos nada uma sem a outra...»

«É isso mesmo», insinua Toni. «Achas que eu ia trepar só convosco sem levar o meu primo…Mas eu não te deixaria ir sozinho, Toni. E quero alinhar agora mesmo…»

Olha na minha direcção e pisca-me o olho. A sua estratégia está no ar, como se fosse um programa, e já planeou como tirar as calças. Está a deixar correr o marfim… Nunca desistiu de uma situação destas.

Com as duas a puxar para o mesmo lado, Faria sabia como agir… mas precisa de uma muleta... É do que precisa. E elas não são as únicas que se estão a fazer a uma boa tourada…

Há putas por toda a sala… tem que se pagar, mas isso é o menos, e apesar de o primo de Faria não ser nada esquisito, Faria não tem dificuldade quanto a chamar uma puta. Cerca de dez minutos depois de já ter dado uma volta à sala, engata uma. Diz que se chama Puta, e não leva a mal por isso, e está à procura de dinheiro. Não é exactamente uma formosura, mas não é um caco; é jovem, tem o ar de quem utiliza o sabonete de vez em quando. Assim, Faria leva-a para a mesa, apresenta-a ao grupo, e depois dá-lhe de beber. Puta, também quer alinhar e Peta tem algum trunfo debaixo da manga, embora só ela saiba o que posso ser…

Peta dana-se com a gaja…não suporta ver a sua Pita a olhar para uma cana rachada… Agarra-a repentinamente pelo pescoço e atira-a contra o sofá, como um estrangulador.

«Põe-te a olhar, minha puta», grita, quando Pita começa a dar beliscões para se afastar dela. «Ah, então já querias que ela te saltasse… Bem… vamos fazer estes gajos e depois nós falamos…»

Eu farto-me de olhar para as unhas aguçadas de Pita. Cá por mim não queria entrar numa briga com aquelas unhas… comporta-se como se quisesse arrancar a pele de Peta. Mas esta não tem medo dela… talvez já estejam acostumadas a estas lutas… De qualquer modo é um espectáculo digno de novela…

Pita tira a escova e puxa o cabelo até trás para se poder tornar mais sexy, e os seus olhos são tão excitantes como tudo o resto do seu corpo. Peta mete-se a dar-lhe palmadinhas na zona do rabo que fica sobressaído, e enquanto Pita se ausenta daquilo, agarra com ela para a casa de banho e começa a esfregadela.

É realmente um espectáculo ver aquelas duas gajas à guerra por ciúmes e não fico nada surpreendido quando Puta salta para ir atrás. Ela já estava entusiasmada quando estavam a brincar umas com as outras ainda há pouco tempo, mas agora está completamente excitada...

Vai-lhes dar linguado quase até aos pés… oxalá pudesse presenciá-las… Em poucos segundos ambas vão-se amarfanhar e apalpar tudo o que é para apalpar, e desta vez não tem de se beliscarem… elas já o fizeram…

Mesmo fressureira, Peta tem um belo esqueleto, e o facto de saber que ela está virada para as mulheres não impede que eu faça uma perspectiva em análise do seu físico, mesmo diante dos meus olhos.

Finalmente Peta tem Pita completamente entregue a si…e ela própria tem competência para isso. Grita por mim, para levar um bom uísque à sua gaja. Gostaria de a ver espevitar, titila-lhe os mamilos remexendo-os com um dedo, que depois enfia-o na boca…

A serenidade de Pita é total…

Toni tem a camisa fora das calças e está a abri-la no peito, de forma a pôr em destaque a sua contemplação física.

Faria está sentado de encosto sobre Puta e, enquanto lhe acaricia o grelo, vai olhando para o de Peta.

Puta tem uma mão entre as coxas de Peta mas não consigo topar o que lhe está a fazer. Pita quer que eu lhe faça uma tosta… aquela mula só me dá trabalho…

«Aquela gaja já te viu em algum lugar?», pergunto baixinho à colaboradora no balcão. «Está a olhar para ti como se quisesse engolir-te…»

Como de costume estou a meter o meu veneno… a colaboradora segue-me o olhar e não responde. Depois afasta-se para uma mesa central, de modo a que as gajas lhe vejam melhor o perfil… Peta e Pita pararam de falar e estão concentradas, olhando calmamente umas para as outras, até que ambas se encontram tão hipnotizadas como galinhas adormecidas. Toni enrola a contar uma anedota picante. A seguir resolve ser altura de se mandar dali e pede a conta para pagar. Como não quero ser desaproveitado, também me aproveito. E enquanto as sirvo com três sumos, elas cospem-se, aquelas três mulas, e não bebem nada… excepto, olhar para mim… Peta grita e salta do sofá… quer um pano depressa… UM PANO! Grita à histérica.

Faria promete-lhe que, se ela se portar bem, talvez lhe venha a dar umas calças novas… Merda, eu antes lhe dava uma vassoura se ela varresse a sala… Puta tirou-me o pano das mãos e está a limpar o tampo da mesa todo encharcado, ao mesmo tempo que afirma que os culpados foram todas elas. Subitamente Pita agarra Peta pelos braços e abraça-a; estão a acariciar-se uma à outra como o fazem os adolescentes, e se nós não estivéssemos naquele local, jurava-se que as raparigas estavam a pedi-las…

«Não mostres já o que sabes fazer», diz Toni. Sorte Minha, podia pensar que seriam um pouco mais prudentes, pelo menos à partida… mas estas mulas não!

Pita abre as pernas e põe-se de costas; Peta não tem menos lata do que ela… enfia a mão nas partes baixas de Pita e revela-me a grande confidência.

A maior partes das fressureiras que conheci não tinha cabelos em volta da rata, aliás não tinham cabelo nenhum à volta do que quer que fosse, mas Peta não tem um só… um só que sirva de amostra.

Puta farta-se de «PTP», palavras, tantas palavras», visto bem as coisas, provavelmente tem daquilo todos os dias, ou quase, e suponho que uma pessoa se possa cansar daquilo, tal como se cansa de outras coisas. Pita quer saber por quem é que vai ser fodida… acha que é altura dos pares se decidirem.

Peta concorda com ela. Certamente é altura de se saber, diz… e assenta a perna sobre o colo de Pita, antes de esta tomar a dianteira.

«Emenda-te, minha mula» diz Peta esfregando o joelho na rata de Pita. «Queres que eles pensem que és uma gaja SELECTA! Não és puta nem és capaz de chupar uma piroca, pois não? Ouve lá, minha chupa piças… o que é que fizeste quando o senhorio nos veio falar? Sim, e logo no primeiro lance. Não deixaste o sapateiro coçar-te toda? E qual dos meus amigos é que não fizeste um broche? A todos, tenho a certeza. Oh, minha mula, não me venhas para cá com essa ladainha! Todas as vezes que vais de casa até ao café, quando regressas ou tens as cuecas todas borradas ou o nariz a cheirar a leite…»

Puta continua a limpar-me a mesa com o pano, mas de repente pára e vai apalpar Faria. Tem tanta força em apalpá-lo que quase o põe a gemer de dores… Tudo o que consigo ver de Peta e Pita são as suas mãos e as mamas que se agitam… tudo o que eles necessitam agora são um quarto e uma cama.

Toni pede para lhe levar a conta. Assim que a arrumo na bandeja e deposito-a na mesa, Pita agarra-se a Toni… mas não para lhe fazer mimos, como eu supus. Envolve-o num abraço e beija-o no rosto. Peta interrompe os mimos com ares de quem sente que está posta de lado. Tem o sangue em brasa, diz ela, não haverá alguém que lhe queira apagar o fogo?

Toni põe o braço em volta do pescoço de Peta e não presta atenção à conta… bebe ainda com mais vontade do que até aí. Eis senão quando ergue o cartão gold quase até ao meu nariz, a parte dourada para fora, despertando a atenção de Puta e Pita que podem ver exactamente a um palmo de distância como é que ele possui tantas cartolinas dourados… e viram-nas bem…

Ela quer saber o telefone dele! É a primeira coisa que Pita diz após o topanço, e dá a impressão de falar a sério. Caramba, Toni, não vai recusar o telefone a uma gaja como Pita… e da parte de Peta não há qualquer reacção em contrário. Se há alguém que mostre ciúmes é Puta… Toni pergunta a Peta se esta não se importa que dê o telefone à amiguinha…Nem pensar nisso… «Ela tem de ser fodida», responde Peta a Toni, ao mesmo tempo que brinca com o cabelo de Pita, metendo-lhe nas orelhas. «Não me importo que saia e vá fazer uns cabritos… São essas putas dessas lambe-conas que ela engata que eu não quero. Mas tu sabes o que tens a fazer, Pita, se eu digo que podes ir…»

Pita sabe… e mesmo logo lhe mostra como é. Agarra nas mãos de Peta e Toni, para não fugirem, e põem-se a caminho da pensão… Ainda vão a meio do caminho, quando Faria lhe segue as pisadas, levando a outra atrás…


(d)


Esta tarde Faria entra-me pelo bar dentro, mal falante, mole como um pastel. Você está triste, amigo… e como é que correu a tourada ontem à tarde, quero eu saber…

«Oh meu querido! Oh! Ratazana?», grita ele, gaguejando-se um pouco. «Que grande merda! Sempre me palpitou ser um coiro! Vês… quando eu me entusiasmo… talvez não haja uma próxima vez.» Percorre a sala e encosta-se ao balcão. «Ela gosta de se exibir, Ratazana... Conhecia-a ontem, foi a primeira vez que a fiz, e ela está-me atravessada na garganta… só diz que eu sou um pouco diferente. Há uma coisa que é chunga… mesmo chunga. Toda aquela esquisitice da camisinha para chupar, meu querido… explicou-me que é assim para todos! Ah, mas ela também gosta de fazer minete… na altura. É estúpida, Ratazana, e não se preocupe com o que fará quando aluada… da próxima vez não a deixo sem resposta… E, pelo amor de Deus, ponha-a noutra mesa… ela tem os amigos dela…»

«Deixe-se de dizer disparates. Ouça, Faria, pode ter a certeza que essa gaja… quando lhe der na real gana… fá-lo estar ali a bombear uma hora…»

«Uma hora? Não, uma hora não, Ratazana. Três horas, foi o que combinei…»

Faria continua a falar até que começo a entender que ele está convencido de que teve realmente um má experiência com a gaja ontem à tarde. Finalmente ponho o uísque da sua garrafa num copo alto, e digo uma coisa a Faria que o melhor é aquela que está para vir…




Tuesday, May 25, 2010


CONTOS DE RATAZANA
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DOIS HOMENS
E
UMA MULHER
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O cliente do Algarve está no bar com uma garrafa e tem em cima do cabelo uns óculos de sol. Pousa o seu Armani e chama as gajas quando eu entro na sala, mas nada se avista.

«Eiiiii… Não há gajas», resmunga o algarvio. «Estou em jejum, pá!» E o dono do bar manda ele ter calma.

Não se lembra muito bem há quanto tempo está ali, mas o tempo está por conta dele. Vou até ao quarto de banho e como estou um pouco apertado, mando um telegrama, ou coisa que se pareça.

Depois ouço ruído da campainha e saio para ver.

Assim que me encontro na sala, dou de caras com Pataco.

Tem andado a ver se me apanha o espertalhão, segundo conta, e está num estado de excitação tal que quase não consegue dar uma prá caixa.

A excitação é tanta mas primeiro tem de tomar um café conjunto com água para me pôr ao corrente do que se passa… sentámo-nos na mesa do centro, e aí cavaqueámos.

Acontece que a minha amiga empregada de balcão de nacionalidade estrangeira, apareceu a servir Pataco. Não trouxe o café como ele queria, mas foi tirar outro… uma maneira dele a fazer voltar à mesa. Pataco, com os olhos arregalados nela, quase verte o café e insiste em propor-me sociedade entre nós os dois e a empregada de balcão...

«Imagine você, aquela grandona ir ser nossa sócia», graceja ele. «Minha mãezinha, não imagino o que é que pensavam estes ambrósios quando tocassem à campainha e nos vissem os três ali ao balcão… Deviam pensar logo que nós andávamos a roê-la… Olhe, veja bem esta espingarda… o que é que um de nós faria na cama deitado com ela? Oh, meu, eu não acredito que ela seja uma pura? Não acredito?» Engole o café num lance e pede outro e também uma bebida para mim. «Ouça lá, Novais, quanto a tesão como é que se sente hoje? Está com tesão?»

«Oh, pá, não tenho relações há mais de trinta dias e até tenho pena dos meus tomates… mas quando lá for, vai ser canja…»

Encara-me serenamente, para ouvir a minha resposta.

«Olhe, Novais, vou dizer-lhe o que me parece… pode andar você a rufá-la. Mas vai sobrar alguma coisa e depois salto-lhe eu em cima… Bolas, não preciso de lhe estar a contar isto, sabe-lo bem… podia muito bem vir a ser eu a comê-la. Mas não faz o meu tipo, Novais… Só que… alguma vez viu um corpo daqueles? C´os diabos, quem é que alguma vez não ouviu falar neste ofício de uma ucra que não desse uma abébia? Gaita, antes de a ver nunca tinha pensado rufar uma ucra …»

Tenho certas reservas sobre o que Pataco estará a insinuar mas não passa de muitas e variadas fanfarronadas… Está a intervir muito mais que aquilo que está constado no bar, e a única coisa que o dana é a nega dela em aceitar uma bebida dele. Mas tenho de dizer amém nos palpites de Pataco, se bem que não a tenho no meu imaginativo, e esta sociedade no negócio do bar é tão maluca que se torna impensável.

Resumindo, acabamos por fazer mais despesa…

Eis quando, mal tínhamos acabado de nos refrescar com novas bebidas, surge uma miudinha do estilo de um manequim, que não faz cerimónia para se alapar … mas os manequins não exibem mais daquilo que ela tem. Está tão contente por ter visto Pataco, diz ela… hoje tinha todo o tempo disponível. Dá todos os indícios de querer comer alguém, isto é, a Pataco, mas ele não se abre…

Após o segundo tawny port não há dúvidas… FB, como se denomina a miudinha, está a safar-se bem. Não há a mais pequena diferença entre o seu desempenho e o desempenho que qualquer outra miúda assumiria. Tudo o que Pataco e eu possamos dizer é extremamente giro, mesmo quando nós não temos intenções de ser engraçados.

Esta miudinha! É atraente, sentada numa cadeira que faz dela crescida, cruzando as pernas em forma de oito e puxando a saia curta para cima para nos dar uma perspectiva do que está por baixo… Olho para Pataco, Pataco pisca-me o olho.

Começamos a contar as excelentes histórias do bar… ela revela-nos algumas, e não deve ser preciso muito para nos contar a história do bandido… As histórias atinge-nos de chofre… num momento nós estamos a rir… no minuto seguinte estamos completamente remetidos no silêncio. Não aguento mais a vontade até me levantar para ir verter águas… Inclino-me da cadeira, de costas para Pataco e antes de perceber o que me sucede já ela estendeu a mão para a minha braguilha e apalpa-me a gaita, dando-lhe palmadinhas com movimentos semelhantes ao das mulheres quando escolhem legumes. É uma sensação surpreendente… esses dedos de bebé a fazerem cócegas na braguilha… Deixo-me ficar onde estou, sem retorcer e deixo-a divertir-se com a coisa.

Pataco manja a cena e dá um berro.

«Eh! Então e eu?», quer ele saber… e ela não pára de me mexer enquanto envia para Pataco o seu corpo de manequim… «Tu não me passas bola.» É como se Pataco tivesse asas. Deslocando-se com uma velocidade do Red Bull, salta da cadeira e senta-se no colo de FB.

«Não dês atenção a esse baixinho», diz-lhe. «Toma, apalpa este… Não é maior?» Puxa-lhe a mão e coloca-a sobre a sua braguilha. «Não vais querer outra… É aí… aperta-o, e vê como está a crescer.» FB salta uma risadinha e levanta mais a saia e revela-nos as coxas graciosas. Ele está é com ciúmes, diz ela… são ambos o meu tipo… E imediatamente Pataco quer ver as suas mamas e quase as põe de fora… Então vê que as maminhas dela são também umas maminhas muito pequenas…

Pataco deve estar chalado… acha que está num quarto duma pensão.

Mas FB não está ali só para se mostrar a nós… mostra-se antes para todos os pesqueiros da zona do balcão, de modo a poder pescar algum promitente interessado… Levanta a pestana e atrai meia dúzia de mirones… Pataco diz para ela ir à pesca − uma ideia que tanto ele como eu estamos de acordo. Então FB atira com a língua cá para fora, rodopiando de um lado para o outro… não vivo disto… E quando se prepara para abalroar outro porto, Pataco levanta uma mão, apontando com o indicador direito…

«Ouve… e que tal experimentamos a três?», propõe Pataco. «Tenho uma situação para te ensinar umas coisas… Que te parece? Podes tocar trombone nas duas gaitas ao mesmo tempo… está bem?» Fala para FB como se estivesse a falar para uma surda e não ouvisse muito bem as suas palavras. «Talvez seja demasiado interessante como gostas, mas há mais coisas que te quero ensinar…»

FB não o deixe pôr as mãos nas cascas…

Agora vou deixar-vos a roer as unhas, diz ela, e espera que não fiquemos aborrecidos… Bem… Apoia as botas de salto alto no mármore do chão e ergue o rabo… Caminha com subtileza, deixando a barriga à mostra, enquanto se rebola num estilo andante para atender um jeitoso…

Pataco e eu olhamos um para o outro… ela tem mesmo estilo. Exibe o seu corpo com bastante atracção… Lanço-lhe um bye-bye, antecipando-me a Pataco…

FB recosta-se no balcão e brinca com um jeitoso de olhar vesgo… e quando ergo os olhos para o rosto de FB para ver como é que ela se está a safar, a cabrita pisca-me o olho…

Acho-a comercial? Ainda está por aparecer a primeira gaja que me faça um preço de reformado enquanto estou no engate e quando isso acontecer as possibilidades são de dez para um em como vou acabar por descobrir que a tipa é manca e partiu a cabeça por cair da cama… É caso para perguntar se cair da cama é comercial… uma puta é uma puta e todas elas são comerciais... Mas FB é realmente uma cabrita porreira… Não faço qualquer restrição em lhe dizer que a acho um bom pedaço. É-se obrigado a elogiá-la, tal como se elogia um bibelô minúsculo, mas de uma perfeição absoluta...

Pataco está a ser chato à espera de voltar às falas com a ucra. Nesta altura já ela nos tinha arrumado a mesa e levado o serviço na bandeja, mas ele está mais interessado que ela aceite uma bebida do que propriamente naquilo que ela está a fazer…

Pataco fica passado, quando ela o olha com um olhar tão doce como se fosse um melão de Pedras Salgadas. A primeira coisa que lhe acorre perguntar é se ela trouxe alguma bebida para beber, mas ela repete-lhe que não tem autorização para beber no serviço… Podias fazer umas coroas, diz-lhe ele, só a tomar copos de licor, talvez com um grupo restrito de clientes para não dar nas vistas… Entretanto a ucra vai-me servindo a Coca-Cola e faz mudar o rosto de Pataco para a cor vermelha… A ucra podia ser um fruto proibido, mas não há dúvidas que tem, no brilho dos seus olhos um apetite devorador de fome.

Pataco quer levá-la para o balcão e pagar-lhe uma bebida.

«Vais ver que ninguém topa», assegura ele. «Bolas, é mesmo tomar um copo e mais nada… Até aposto que já te contaram muitos filmes meus. Olha, realmente eu não tenho uma fama por aí além… isso é um facto, mas se falarmos em questão de guitas, só o meu nome indica tudo. Pergunta ao Novais que ele diz-te.»

Tem levado todos estes meses a tentar meter-se com ela com uma linguagem que parece um bocado vocabulário brejeiro…

Não há a menor possibilidade dele lhe dar a volta… Se alguma vez, quando Pataco vencer a dele, a sua voz vai parecer um trovão a cair dos céus…

Mas não é uma sensação inteiramente nova oferecer bebidas às balconistas de bares e elas esborracharem-se nas mesas…

Pataco descobriu um motivo para se lamentar… Gostaria de lhe ter apanhado o número do telefone. Não quer dar o número a ninguém, segundo diz a ucra… tudo o que deseja é só o número dela no confidente da sua lista privada, de modo a lhe poder telefonar nas horas vagas, e também quando ela necessitasse. A ucra ofende-se. Que espécie de mulher julga ele que ela é? Mas isso não a impede de lhe sacar a gorja assim que o apanha pelas costas… Pataco e eu pomo-nos a analisar o ambiente e a ucra volta para dentro do balcão, mirando-nos a ambos…

Pataco senta-se, a esfregar o nariz… tenta, repetidas vezes, dizer qualquer coisa de jeito, matutando-se e olha primeiro para o rosto de ucra e depois para mim. É óbvio o que ele tem em ideia, mas Pataco está a tornar-se fastidioso… Por fim decide-se… levanta-se e aspira profundamente o ar da tarde.

Mas eu vou ter de levar com ele até que Pataco tire os mirones de cima da figura da ucra… ela continua a dar-lhe o nega com os copos, e estão ambos de costas voltadas.

Pataco pretende saber se eu vou ou fico. Faço sinal a Pataco para se mandar só, e ele, trocista, abre a boca e diz que me posso ir foder se não carimbo aquilo…

A seguir desanda dali para fora.


Tuesday, May 18, 2010


CONTOS DE RATAZANA
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“UM ARROZ DE CABIDELA
E
UMAS RATAS…”
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Para uma pessoa do estilo de Miss Piggy, como era chamada pelos amigos, só havia dois possíveis remédios: jogo e cama. A experiência da vida deixou-a despassarada e solitária, mas capaz de encontrar alguém que está sempre á mão do telefone. Pega nele e faz umas tantas chamadas.

Não conhece o amigo novo do grupo de S. João da Madeira, mas está demasiadamente histérica para o conhecer com calma, mas se vier que traga os seus amigos, todos eles vão receber uma surpresa.

Américo… eis um porreiraço! Pelo menos, as suas piadas não são maçadoras, como alguns dos seus amorosos amigos. E desde que ele não cometa burrices, desde que não seja maçudo, nem seja forreta, a sua vinda parece ser bem vista.

Miss Piggy respeita os seus amigos, as suas frontalidades, e está-se borrifando para que digam mal dela… um grande número de pessoas que ela conhece já estão na meia-idade, tanto homens, como mulheres. Depois de fazer uma mão cheia de telefonemas, fica relaxada. Ainda descascada, aninha-se no sofá e abre uma garrafa de uísque. Toma um trago de lance rápido. É daquelas que necessita dum uísque para entrar num programazito… a erecção que tinha com eles tem-na também com elas. No seu afamado andar, com as janelas fechadas e as cortinas corridas, consegue por fim dar forma ao seu plano.

Piggy não pára de pensar… não deve nem pode, tem de se fazer à vida para atenuar os vícios que criou. O telefone acalmou-a um bocado; dá a impressão de ter ganho forças para fazer frente a uma manada de cabritos. Puxa o lençol para as pernas, e acaricia a pintelheira… não porque lhe coce, mas para se certificar se a rata ainda está no mesmo sítio.

Os amigos de Américo telefonam a sugerir que seria uma boa ideia se Piggy cozinhasse, em sua casa, um arroz de cabidela… não gostam muito de comer pito que não seja caseiro. Mas ela promete ser tão boa cozinheira como na cama. Agarra as roupas à balda, sai do sofá e afasta-se para a cozinha.

Às sete e pico… Marques, Sampaio, Pinto e Américo… saem do Mercedes e andam pela rua antes de tocar no botão da campainha, e aguardam três longos minutos enquanto ela procurava pôr o arroz ao lume.

Já não é a primeira vez que Piggy faz um papel destes. Sempre gostou de paparicar os amigos, mas dos bons… dos que pagam sem palrar se elas forem meigas na cama.

Piggy recebe-os entre sorrisos e beijos e leva-os directamente para a sala, armando a mesa com copos, gelo e uísque, e um sirvam-se à vontade. Depois, e quase ao mesmo tempo, surgem do quarto duas macacas com as mamas á solta mesmo em frente dos narizes deles, estremecendo como umas cortinas ao vento. Estupores, nem os deixam respirar, estas macacas… baloiçam os marmelos, com o interesse de os pôr mais esfomeados. A língua de uma delas começa a serpentear fora dos lábios quase se assemelha à língua de uma cobra… Um deles sente a tentação de ferrar os dentes naquela língua avermelhada que ela exibe, mas fica-se pela mirada.

Na sala, o ambiente está febril e elas continuam tão quentes como antes. E ainda os foguetes não chegaram aos céus, se bem que os calores já lhes tenham chegado acima.

Desde que Américo começou a brincar com a mulher que servia à mesa na sala, uma mulher chamada Rata, o tesão aumentou-lhe tanto como a cabeça de um touro e sente a cabeça da gaita como se alguém a tivesse dado com uma marreta. É uma erecção tão dura que, depois de se ter enfiado na casa de banho, rega-a com água fria e deixa-se por lá durante uns minutos.

Rata curte-o, mas tem as suas próprias ideias sobre como deve lidar com ele. Agarra-o logo e, antes que ele ferva, deita-o na cama e começam a fazer amor. Aquela Rata… depois de um início de aquecimento começa por lambê-lo dos pés à cabeça. Geme… podia-te comer em menos de três minutos, diz-lhe ela… mas ele tem formas para crer que não seria bem assim… puxa o lençol para debaixo dos seus pés e tira-lhe os óculos da cara.

«Gostei da rapariga que servia de empregada de mesa à sala, exclama Américo a Piggy… e pergunta coisas sobre ela por considerar a mulher com uma técnica levada da breca…

«Ela é casada, tem um puto… e nada do que faz chega aos ouvidos do homem… o homem julga-a uma mulher de muitos expedientes e sente-se feliz por ela trazer a carteira recheada de notas dias a fio…»

Depois de passar alguns minutos a mostrar-lhes como confeccionou o pica-no- chão, Piggy suspira de satisfação. Há alturas, diz-lhes, em que desejo comer um frango na churrascaria de que um frango do campo… Se o Sr. Sampaio não me tivesse pedido, hoje, não saberia o trabalho que me deu arranjar o pito caseiro… o meigo Pinto em linguado com uma das acompanhantes responde rápido… Sim, embora você saiba que nós vamos pagar bem por este serviço, como se estivéssemos a comer num bom restaurante do Porto.

Este é um dos pontos em que todos estão de acordo. Embora saibam que alguns seriam capazes de comer qualquer coisa para não saírem dali sem o privilégio de irem para a cama com as mulheres.

Caramba, a quantidade de arroz que ali há no tacho é surpreendente! Antes de pegarem nos talheres, Piggy pede-lhes para se agruparem na mesa aos pares. Ela com Sampaio, o estreante Américo com a surpresa Rata e Marques e Pinto com as duas parceiras.

Uma comezaina, naquela noite, sem umas fodas não é suficiente para eles. Eles metem mais duas colheradas de arroz à boca para poder beber mais uns copos de vinho… depois já estão finos para o circo. Deixam-se estar nas larachas, agarrados a elas a roçar o pau, espevitando-as e arranjando o programa dentro daquele ardor que sai delas… em seguida, agarram nelas, seguem para o quarto, e saltam-lhes para o pêlo…

A parceira de Marques não se contenta por chupar no caramilo e esperar pelos espermas… agarra as mamas e espeta-lhas na cara, pedindo-lhe que lhas chupe da tal forma que, por um momento, parece que as mamas botam leite. A parceira do lado põe os braços e as pernas à volta de Pinto e o seu sexo fecha e engole o pintainho…

Piggy fica em transe ao ver Sampaio nu de pénis erguido! De repente, ela rebola-se no soalho, trepa para cima dele, mete-se debaixo dele, e por fim, ele agarra-a de passagem, deita-a de cu e sente ela estremecer… Ela não pára de ser vir… e ele também não…

Em seguida, ao fumarem, Sampaio quer saber, se ela não é uma melhor foda do que Rata… Aquela-cara-de-chinesa-que-faz-do-pénis-gato-sapato, como Sampaio diz. Porque razão uma mulher como eu, tem ciúmes da maneira como Rata fode? Para amadores, sim, ele podia entender que os amadores gostassem de deitar abaixo a Rata… e ela não se ralavam nada com isso, até pelo contrário. Mas com homens já traquejados… não é ela melhor do que eu, que sou uma mulher de cinco artes, com tudo o que é bom no sítio para satisfazer o desejo de um qualquer homem, do que aquele peito raso, aquela fodita…

Como raio saberá um homem responder a um assunto desses? Rata, por si própria, tem a sua técnica… não se pode compará-las pelos estilos vulgares, porque não existe outras iguais, em parte alguma. Sampaio responde, perguntando a Piggy se não se sente enciumada pela atracção da amiga… Ah, mas isso é grupo! Se Rata não fosse minha amiga de verdade não lhe passava cartão nenhum… nenhum, mesmo. O que, evidentemente, é um dado adquirido. Sem dúvida que o facto de serem associadas por esquemas de engate favorece e apimenta a relação com uma tipa como Rata. Rata levaria qualquer um para a cama de Piggy sempre que lhe desse na real corneta.

Piggy continua a relatar em lábia corrida alguns dos casos mais emotivos dos seus episódios com a amiga… Parece que Rata conseguiu sacar à amiga todos os números interessantes de telefones dos clientes que Piggy conhece… e em troca ela cobrou algumas das suas próprias exigências. Todavia o que Sampaio acha de maior interesse na conversa é o facto de Piggy ter insistido com ele que na próxima vez, lhe fará um truá(*) com a amiga, ela e ele na cama. Tem-no na ponta do rebuçado. Claro que agora está tudo mais inflamado… mas se esta noite eu não tenho estado contigo, diz Piggy com um beliscão… ah, teria sido uma perda… sim, era uma perda, concerteza…

Mesmo sem nenhum deles se ter esforçado muito, Sampaio já se dava por muito satisfeito em estar ali esticado, dando uma troçada branda em Piggy, mas os seus planos são outros, e bem diferentes, certamente. Entusiasma-se… por fim trepa para cima dela e mostra-lhe como é que a maquinaria funciona na segunda. E proporciona-lhe uma bela troçada cheia de cagaçal e agitação… não há hipótese…

Tanto quanto dão a atender, Américo e Rata não se satisfazem só com uma foda. Pelo menos, não se comportam como se estivessem satisfeitos… da maneira como gozam a marmelada que gerem, dá a impressão de que estão em jejum há meses… Ele contorce-se como um dançarino de Chula com reviravoltas na cama… agarra-lhe pelo ânus, dá-lhe um beliscão e abre-lhe as nádegas… ela quase o atira da cama abaixo, quando ele começa a fazer-lhe cócegas na pintelheira em volta do recto.

Marques torna-se aéreo… passado algum tempo sem estar a montar, salta para cima da sua parceira e põe-se a espreitar para o espelho de aumento existente em cima da cómoda. Depois, aí está ele a mirar-se, e na primeira espreitadela que lança ao que vê lá em baixo quase acaba com ele.

Mas o que é ISTO, exclama, mas depois de ter continuado a olhar durante alguns minutos já o satisfaz cada vez mais.

Possui-a agora, decide ele, uma pichota muito fiel ao dono que se porta às mil maravilhas para incendiar fogos…

Ele quer ver o que sucede quando se vir, diz Marques… mas quando isso se verifica tem os tomates tão vazios que não acredita que tenha alguma noção daquilo que está a ver… Por fim fica silencioso durante alguns minutos. Está sentado no centro da cama, de cócoras e começa a falar do seu Sporting.

Nesta altura, alguns deles já se fixavam na sala mais aliviados. Estão sentados ao lado delas na mesa, de pernas abertas e a escorropichar a garrafa de uísque de modo a refrescar um pouco o alívio, e trocam opiniões acerca de Ratazana. É óbvio que falar nessa personagem os entusiasmam, apesar de uma delas lhes querer fazer crer que agora se sente descomplexada com tudo aquilo que lá passou… Ratazana foi um professor para todas as gajas do seu naipe, é sabido… seria completamente estúpido se o não fizesse… e se alguém no seu seio não tinha conseguido superar qualquer outra do grupo, fora por mera burrice, sem dúvida.

Eles manifestam interesse em saber quanto é que Piggy tenciona cobrar por cada um… Leva algum tempo a raciocinar Pinto da sua contabilidade, mas está convencido de que não vai ser nada barata, e depois de lhe ser dito o número da totalidade da despesa, ele começa a fazer contas mais uma vez.

Logo que sabem o que toca a cada um, Marques dá um salto da cadeira e desata aos berros. Tem ambos os olhos abertos sobre o nariz… Alguém o tenta acalmar, mas antes que ele faça mais chiqueiro, Piggy deita alguns goles de uísque para dentro do copo… só para o ver calado… Se isto se passasse com Américo, Pinto ou mesmo com Sampaio não teria tanto banzé… mas Marques é um tipo tão semítico e tão patinhas que a cena se torna engraçada.

Finalmente voltam às contas… se lhe deixasse uma gorja, talvez a próxima visita melhorasse, pensa Américo… Escorrega-lhe uma nota de cinquenta euros e Piggy ainda berra mais do que Marques antes… agora tudo o que eles querem é livrarem-se delas o mais depressa possível. Limitam-se a deixar-lhe uma de vinte na mão e a despedirem-se… despedem-se até ficar cansados, e quanto mais ela barafusta mais eles gozam…

Quando acaba por ver o tombo que leva na carteira, Pinto continua a fazer contas de cabeça e fica fulo… Então tem uma ideia que não é exactamente a melhor de todas as ideias imagináveis. Ainda tem uísque no copo para cima de meio, e antes que alguém possa imaginar, ele deixa cair umas doses de uísque para cima do pénis…

E de chofre, sem ter deixado a parceira perceber o que lhe ia fazer, pede-lhe para que ela lhe faça um vovó…

Assim que ela o chupa fica completamente extraviado. Puxa o cabelo, dá um palavrão do tamanho da Torre dos Clérigos e desata às gargalhadas na sala… está a passar-se, tem os olhos a aumentar, está a ficar em desacerto com os fusíveis interiores… mas adora-o o pinta… e de repente pára de gargalhar e envolve-se nos braços dela, rogando que lho chupe mais um pouco. Está a querer vir-se… quer que ela o chupe com mais força… Ouve-se uma voz engrossada… vê se é para hoje, pá, comentário dum deles...

São loucos, estes pintas… todos estes pintas da noite, sem excepção…. Dê-lhes o que lhes der, é fixe, é espectáculo…

Querem divertir-se à grande e à francesa? Ah, vão logo correr comprar uma fatiota! Ficam marados por tudo, e qualquer coisa que os mexe é altamente.

Não há outra explicação… nenhum pinta fecha bem a mala…



* Amor a três.